© Marcello Casal JrAgência Brasil

China embarga exportações de três frigoríficos brasileiros por questões sanitárias

BeeNews 23/05/2026 | 11:59 | Brasília
4 min de leitura 672 palavras

A China anunciou a suspensão temporária das exportações de três importantes frigoríficos brasileiros, após a identificação de irregularidades sanitárias em carregamentos de carne bovina destinados ao país asiático. A medida, que impacta unidades de grandes players do setor, foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), gerando um alerta no mercado de exportação de proteínas.

Este desenvolvimento ocorre em um momento de intensa relação comercial entre Brasil e China, principal destino da carne bovina brasileira. A suspensão, embora preventiva e temporária, exige uma resposta rápida das empresas e das autoridades brasileiras para garantir a conformidade e a retomada plena das operações, mantendo a reputação do país como um fornecedor confiável.

Detalhes das Suspensões e Empresas Afetadas

As unidades afetadas pela decisão chinesa incluem a planta da JBS em Pontes e Lacerda, no Mato Grosso, o frigorífico da PrimaFoods localizado em Araguari, Minas Gerais, e a unidade da Frialto em Matupá, também no Mato Grosso. A Abiec esclareceu que o embargo visa permitir que as empresas implementem as ações necessárias para rastrear a origem das cargas questionadas e corrigir os problemas apontados pelas autoridades sanitárias chinesas.

Este tipo de medida é comum no comércio internacional de alimentos, onde a segurança sanitária é uma prioridade máxima. As empresas agora enfrentam o desafio de demonstrar a eficácia de seus controles internos e a conformidade com os rigorosos padrões exigidos pelo mercado chinês, um dos mais exigentes do mundo.

Irregularidades Identificadas e Respostas das Companhias

A Frialto, uma das empresas suspensas, divulgou que a fiscalização chinesa detectou a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em um dos lotes de carne bovina exportados. Esta identificação levou à imediata interrupção das operações de exportação da unidade de Matupá para a China.

Em resposta à suspensão, a Frialto informou ter reduzido em 40% a produção de sua unidade em Matupá. A companhia também redirecionou parte de sua produção de carne para outros mercados estratégicos, como Estados Unidos, México, União Europeia e diversos países árabes e asiáticos, buscando mitigar os impactos comerciais. A empresa iniciou uma investigação técnica aprofundada sobre os lotes envolvidos e expressou a expectativa de reabilitar suas operações antes do início do ciclo de exportações da cota chinesa de 2027. A Frialto ressaltou que a suspensão ocorre em um período em que o Brasil já se aproxima do limite da cota de exportação para 2026, o que naturalmente implicaria uma redução nos embarques no segundo semestre do ano.

A Abiec, por sua vez, reforçou que o Brasil mantém um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos globalmente, com monitoramento contínuo da cadeia produtiva e fiscalização constante pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Segundo a entidade, as cargas alvo da contestação chinesa estão sendo tratadas em estrita conformidade com os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países. Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Embaixada da China no Brasil não emitiram declarações oficiais sobre o ocorrido.

Cenário de Comércio: Reabilitações Recentes e Impacto nos Frigoríficos

A suspensão dos três frigoríficos acontece na mesma semana em que a China autorizou a retomada das exportações de outras três plantas brasileiras que estavam embargadas desde março de 2025. Na quarta-feira, 20 de maio, foram reabilitadas as unidades da JBS em Mozarlândia (GO), da Frisa em Nanuque (MG) e da Bon-Mart Frigorífico em Presidente Prudente (SP).

A Abiec celebrou a decisão de reabilitação, interpretando-a como um reforço da confiança das autoridades chinesas no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país. A entidade também destacou a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária nas negociações conduzidas diretamente em Pequim para restabelecer as habilitações. O Brasil conta com mais de 100 frigoríficos habilitados para exportar carne bovina para a China, que se mantém como o principal destino internacional do produto brasileiro, evidenciando a importância estratégica deste mercado para a economia nacional. Para mais informações sobre o comércio exterior brasileiro, visite a Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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