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Ancine apura irregularidades em ‘Dark Horse’, filme sobre Bolsonaro, com risco de multa

BeeNews 21/05/2026 | 18:51 | Brasília
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A Agência Nacional do Cinema (Ancine) iniciou uma investigação sobre a produção de “Dark Horse”, um longa-metragem que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A apuração se concentra na ausência de comunicação prévia da obra à agência reguladora, uma exigência para produções cinematográficas estrangeiras realizadas em território nacional. A não conformidade com as normas pode acarretar em sanções financeiras significativas para os responsáveis.

O filme, que conta com o ator Jim Caviezel no papel principal e recebeu aporte financeiro de Daniel Vorcaro, é falado em inglês e tem sua equipe principal — incluindo estrelas, diretores e roteiristas — composta por americanos. Este cenário levanta questões sobre a classificação da obra e as obrigações regulatórias aplicáveis, enquanto a Ancine busca esclarecer a natureza da produção e o papel de seus envolvidos.

A investigação da Ancine sobre a produção de ‘Dark Horse’

A Ancine, órgão responsável pela regulamentação e fiscalização da indústria cinematográfica no Brasil, está verificando a conformidade da produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”, com a legislação vigente. Uma norma específica da agência estabelece que a produção de obras cinematográficas estrangeiras em território brasileiro sem a devida comunicação prévia pode resultar em multas que variam de R$ 2.000 a R$ 100.000. Até o momento, a Go Up Entertainment, que possui sede na Califórnia, nos Estados Unidos, e também está registrada como agente econômico na Ancine em São Paulo desde julho de 2025, não apresentou o pedido de registro necessário para as gravações, nem para o lançamento comercial do filme no país.

A agência reguladora busca determinar se “Dark Horse” deve ser classificada como uma obra brasileira ou estrangeira, um ponto crucial para estabelecer as obrigações legais aplicáveis ao projeto. Essa distinção é fundamental, pois obras brasileiras e estrangeiras estão sujeitas a diferentes conjuntos de regras e incentivos. Além disso, a Ancine investiga o papel exato da Go Up Entertainment no empreendimento, avaliando se a empresa é a produtora direta ou se atua como contratada por uma produtora estrangeira. A definição dessa relação contratual é determinante para a aplicação das normas e para a identificação das responsabilidades legais no caso.

Alegações de assédio e condições precárias no set de filmagem

Em paralelo à investigação regulatória da Ancine, a produção de “Dark Horse” enfrenta sérias denúncias de trabalhadores do setor audiovisual que participaram das filmagens. Relatos indicam episódios de assédio moral, agressões físicas e condições de trabalho precárias durante o período de gravação, ocorrido no ano passado. Essas queixas foram compiladas em um dossiê elaborado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP), que busca dar voz aos profissionais afetados.

A entidade sindical informou que, apesar da gravidade das acusações, os funcionários envolvidos optaram por não buscar reparação judicial. Essa decisão foi motivada pelo receio de sofrer represálias no mercado de trabalho ou de ter suas carreiras profissionais prejudicadas, um temor comum em setores onde a precarização e a informalidade podem ser presentes. As denúncias adicionam uma camada de complexidade e preocupação ao cenário da produção, levantando questões sobre o ambiente de trabalho e o respeito aos direitos dos profissionais do audiovisual envolvidos no projeto.

O contexto da produção e seus protagonistas

“Dark Horse” é um filme que se propõe a retratar a vida e a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, um tema de grande repercussão e interesse público. A escolha do renomado ator Jim Caviezel para o papel principal confere visibilidade internacional à produção, que desde o seu anúncio gerou discussões e expectativas. A participação de Daniel Vorcaro no financiamento do projeto também é um elemento que contextualiza a origem dos recursos para a realização do longa-metragem, adicionando uma dimensão financeira ao escrutínio.

A produção de filmes com temas políticos e figuras públicas frequentemente atrai atenção e escrutínio, tanto do público quanto de órgãos reguladores como a Ancine. O caso de “Dark Horse” ressalta a importância da transparência e da conformidade com as regulamentações locais e nacionais, especialmente quando se trata de produções com alcance internacional e que envolvem diferentes jurisdições e culturas. A observância dessas regras é fundamental para garantir a legalidade e a ética em todas as etapas de uma obra cinematográfica, cujas diretrizes podem ser consultadas no portal oficial da Agência Nacional do Cinema.

Fonte: noticiasaominuto.com.br

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