© Tomaz Silva/Agência Brasil

Jornada de trabalho: senador propõe pagamento por hora em debate sobre a escala 6×1

BeeNews 19/05/2026 | 18:20 | Brasília
4 min de leitura 646 palavras

Em um cenário de intensos debates sobre a regulamentação das relações laborais no país, um senador apresentou uma proposta que visa flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A sugestão do parlamentar é permitir o pagamento por hora trabalhada, concedendo ao empregado a autonomia para definir seu período de atuação, em contraponto aos projetos que buscam extinguir a jornada de trabalho no modelo 6×1.

A iniciativa surge em meio à tramitação de diversas matérias legislativas sobre o tema, incluindo um projeto do governo federal que propõe a redução da carga horária semanal. A discussão reflete a busca por um equilíbrio entre a modernização das leis trabalhistas, a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Flexibilização da jornada: a proposta de pagamento por hora

A sugestão apresentada por um senador defende a alteração da CLT para introduzir o pagamento por hora trabalhada. Segundo o parlamentar, essa medida permitiria aos trabalhadores escolherem a quantidade de horas que desejam dedicar ao emprego, adaptando a jornada às suas necessidades pessoais e familiares.

A proposta garante a manutenção de todos os direitos trabalhistas essenciais, como décimo terceiro salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e férias, que seriam calculados proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas. O senador argumenta que essa flexibilidade é crucial diante dos avanços tecnológicos e das novas dinâmicas do mercado.

O projeto do governo federal para o fim da escala 6×1

Em abril, o governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei com urgência constitucional para pôr fim à escala de trabalho 6×1. A proposta do Executivo visa reduzir o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegurando dois dias de descanso remunerado sem qualquer redução salarial.

Com essa mudança, os trabalhadores passariam a ter no máximo cinco dias de trabalho por semana. A iniciativa conta com amplo apoio de entidades sindicais e de representação de classe, que veem na medida um avanço significativo para os direitos dos trabalhadores.

Divergências e impactos no mercado de trabalho

Apesar do apoio de sindicatos, a proposta do governo federal enfrenta objeções de entidades patronais e divide a opinião de especialistas quanto aos seus potenciais impactos na economia. Há estudos que divergem sobre os efeitos da medida no Produto Interno Bruto (PIB) e na inflação, gerando um debate complexo sobre suas consequências.

O senador que propõe o pagamento por hora classifica a iniciativa do governo como inoportuna e eleitoreira. Ele argumenta que a redução da jornada sem flexibilização pode levar a um aumento do desemprego em massa, elevação do custo de vida e, em última instância, prejudicar mais os trabalhadores do que beneficiá-los.

Equidade de gênero e o papel da mulher no trabalho

Um dos pontos centrais na discussão sobre a jornada de trabalho é o impacto nas mulheres. O senador defende que o pagamento por hora beneficiaria principalmente as mulheres, permitindo que aquelas com filhos pudessem conciliar o trabalho com as responsabilidades familiares, como o cuidado com as crianças.

Por outro lado, o governo federal considera o fim da escala 6×1 prioritário para promover a equidade de gênero no mercado de trabalho e aliviar a sobrecarga feminina, sujeita à dupla jornada. Dados de uma pesquisa nacional de 2022 indicam que mulheres dedicam significativamente mais horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas do que os homens.

A secretária nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres ressalta que o fim da jornada 6×1 pode impactar positivamente na divisão de tarefas em casa. Para ela, o cuidado deve ser compartilhado entre homens e mulheres, e ter mais tempo em casa é fundamental para essa divisão. Para mais informações sobre a proposta do governo federal, clique aqui.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Palavras-chave: custo, descanso, família, legislação, parlamentar, política, produtividade, reforma, salário, sociedade, trabalho, jornada, governo, proposta, federal, senador, pagamento, hora, trabalhadores, mulheres
Compartilhe:

Menu