Como as pirâmides do Egito foram construídas

Pirâmides: estudo de 2026 propõe rampas internas para desvendar construção milenar

BeeNews 21/05/2026 | 17:43 | Brasília
5 min de leitura 832 palavras

A questão de como os antigos egípcios ergueram as pirâmides, estruturas monumentais que desafiam o tempo e a engenharia, permanece como um dos maiores enigmas da história. Por mais de quatro milênios, pesquisadores e entusiastas têm buscado uma resposta definitiva para este feito arquitetônico. Recentemente, um estudo com publicação agendada para março de 2026 na renomada revista Nature promete trazer uma nova perspectiva, aproximando-se de uma solução para este mistério secular.

O trabalho, liderado pelo pesquisador espanhol Vicente Luis Rosell Roig, introduz uma teoria inovadora que propõe um engenhoso sistema de rampas integradas à própria estrutura das pirâmides. Utilizando um modelo computacional avançado, que simula cada etapa do processo construtivo, Roig apresenta uma hipótese detalhada que reacende o debate sobre as técnicas empregadas na edificação dessas maravilhas do mundo antigo.

A Teoria das Rampas Integradas na Edificação das Pirâmides

A ideia de que rampas foram utilizadas na construção das pirâmides de Gizé não é completamente nova no campo da arqueologia. No entanto, o diferencial da teoria de Rosell Roig reside no seu mecanismo de funcionamento. Ele propõe o modelo IER (Integrated Edge-Ramp), que descreve uma rampa em espiral embutida nas bordas da própria pirâmide, que ascenderia progressivamente junto com a estrutura.

Diferentemente de modelos que sugerem rampas externas de proporções gigantescas ou túneis internos sem evidências arqueológicas, o sistema IER postula que os construtores intencionalmente deixavam lacunas nas bordas de cada andar. Esses corredores, com aproximadamente 3,8 metros de largura, serviam como vias para o transporte dos blocos. À medida que a obra avançava, essas lacunas eram preenchidas, fazendo com que a rampa desaparecesse sem deixar vestígios visíveis na estrutura final.

Mecanismos e Logística da Construção Antiga

O estudo detalha os métodos logísticos empregados para mover os blocos de pedra, que pesavam em média 2,3 toneladas. Segundo a simulação, os blocos eram arrastados em trenós sobre areia molhada, uma técnica conhecida por reduzir significativamente o atrito. Equipes de até 32 trabalhadores seriam responsáveis por empurrar cada peça por uma inclinação de 7 graus, utilizando cordas, alavancas e postes de madeira como ferramentas auxiliares, em um período anterior à invenção do ferro, da roda e de maquinário moderno.

Para garantir a conclusão da obra dentro do prazo estimado, o sistema de rampas precisaria operar em paralelo. O modelo computacional prevê a existência de até 16 rampas simultâneas nas fases iniciais da construção, número que diminuiria progressivamente para 8, 4, 2 e, finalmente, uma única rampa no topo. Com esse ritmo, um bloco seria posicionado a cada 4 a 6 minutos, permitindo que a pirâmide fosse concluída em um período de 20 a 27 anos, o que coincide com a duração do reinado do faraó Quéops.

Pistas Internas e a Verificação Científica da Hipótese

Um dos aspectos mais intrigantes da teoria de Rosell Roig é sua conexão com os espaços vazios já identificados no interior da pirâmide através da muografia. Essa técnica, que utiliza partículas cósmicas para “enxergar” através da densa estrutura de pedra, revelou anomalias que têm intrigado os pesquisadores por anos. O estudo sugere que esses vazios poderiam ser, na verdade, os remanescentes das rampas integradas, que nunca foram completamente preenchidas.

Essa é uma hipótese verificável, o que representa um grande avanço no debate. Pela primeira vez, uma teoria sobre a construção das pirâmides é submetida a um modelo computacional integrado, que combina geometria, logística e análise estrutural em uma plataforma unificada. Com código e dados abertos, outros pesquisadores terão a oportunidade de testar e validar a proposta, impulsionando a pesquisa científica na área. Para mais informações sobre descobertas arqueológicas, visite Nature.com.

O Debate Persistente e o Legado das Pirâmides

Apesar da consistência apresentada pelo estudo, o próprio autor reconhece que sua pesquisa não encerra a discussão sobre a construção das pirâmides. Teorias rivais continuam a ser debatidas na comunidade científica. A hipótese mais clássica, por exemplo, propõe o uso de rampas externas retas, mas enfrenta o desafio de que, para atingir o topo com uma inclinação viável, a rampa precisaria ter o dobro do comprimento da pirâmide. Outros pesquisadores exploram a possibilidade de força hidráulica para içar os blocos ou sistemas mistos com rampas em zigue-zague.

O consenso inabalável, no entanto, é que a Grande Pirâmide foi erguida por volta de 2.560 a.C., durante o reinado de Quéops. A construção foi realizada por equipes organizadas de trabalhadores especializados, e não por escravos, como ainda é frequentemente repetido no senso comum. A teoria de Rosell Roig oferece uma nova e promissora via para a compreensão desse feito.

Se futuras análises das bordas da pirâmide revelarem os padrões de desgaste previstos pelo modelo, ou se os vazios internos corresponderem à forma projetada, a arqueologia terá dados concretos para confirmar — ou refutar — a hipótese. Por enquanto, as pirâmides de Gizé continuam a guardar seus segredos, mas cada novo estudo como este nos aproxima da compreensão de uma das maiores obras já erguidas pela humanidade.

Fonte: gazetadopovo.com.br

Palavras-chave: antigo, arqueologia, ciência, construção, descoberta, egito, história, mistério, pesquisa, pirâmides, rampas, teoria, pirâmide, estudo, roig, modelo, hipótese, pesquisadores
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