Mediador de Omã relata “consternação” após ataque aéreo dos EUA e Israel ao Irã, detalhando rápida deterioração das negociações nucleares.
Em um período de apenas 48 horas, a esperança de um acordo pacífico entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano foi drasticamente abalada. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi, mediador das conversas, expressou profunda “consternação” após o ataque militar lançado por EUA e Israel contra cidades iranianas, que resultou em centenas de mortos e feridos.
Os registros divulgados pelo próprio mediador em suas redes sociais pintam um quadro de rápida deterioração das relações, passando de um otimismo cauteloso para um cenário de conflito aberto. A escalada militar, que teve início no sábado (28), contrasta fortemente com o progresso aparentemente significativo alcançado nas negociações dias antes.
Este desfecho trágico ocorre em meio a discussões que se arrastam há anos sobre os limites do programa nuclear iraniano, com os EUA e aliados acusando o Irã de buscar fins militares, enquanto Teerã afirma que suas atividades são pacíficas. Acompanhe a cronologia dos eventos que levaram a essa grave reviravolta, conforme detalhado pelo diário do mediador, conforme informação divulgada pelo g1.
Esperança de acordo nuclear dá lugar à “consternação” em 48 horas
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi, utilizou seu perfil na rede social X (antigo Twitter) para documentar a vertiginosa mudança no cenário diplomático. Na quinta-feira (22), ele compartilhou a satisfação em confirmar uma rodada de conversas entre EUA e Irã em Genebra, Suíça, com um “impulso positivo para ir além e buscar a finalização do acordo”.
Na sexta-feira (26), o otimismo se manteve, com AlBusaidi anunciando “progresso significativo” nas negociações. Ele mencionou que discussões em nível técnico ocorreriam na semana seguinte em Viena, indicando um avanço concreto nos diálogos sobre o programa nuclear iraniano.
Ainda na sexta-feira (27), o mediador compartilhou detalhes de um encontro com o vice-presidente americano, J.D. Vance, expressando gratidão pelo engajamento e esperando por “avanços adicionais e decisivos”. AlBusaidi chegou a afirmar em entrevista à CBS News que um acordo estava ao alcance, com foco em “zero armas nucleares”, “verificação abrangente” e um processo “pacífico e permanente”.
Ataque militar e centenas de mortos marcam o fim das negociações
No entanto, no sábado (28), a narrativa mudou drasticamente. Apenas dois dias após relatar progresso significativo e no dia seguinte a declarar que a paz estava “ao alcance”, o ministro de Omã expressou estar “consternado”. Ele lamentou que “as negociações ativas e sérias foram mais uma vez prejudicadas”, enfatizando que nem os interesses dos EUA nem a paz global foram bem atendidos por tais ações.
Badr AlBusaidi fez um apelo aos Estados Unidos para que “não se deixem arrastar ainda mais”, declarando: “Esta não é a sua guerra”. Ele expressou também suas orações “pelos inocentes que irão sofrer” em decorrência do ataque militar. O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irã resultou, segundo o Crescente Vermelho, em pelo menos 201 mortos e 747 feridos, com destaque para a morte de 85 alunas em uma escola no sul do país.
Estreito de Ormuz sob tensão após ofensiva militar
A ofensiva militar também lança uma sombra sobre o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte de petróleo. Cerca de 20% da produção mundial de petróleo passa por esta região, e analistas temem que o Irã possa bloquear o estreito em resposta aos ataques, o que levaria a uma disparada nos preços da matéria-prima no mercado internacional.
A decisão do ex-presidente americano Donald Trump, em 2018, de retirar os EUA do acordo nuclear firmado em 2015 com o Irã, já havia criado um clima de instabilidade. Embora Trump tenha sinalizado em 2025 a necessidade de um novo acordo, a recente escalada militar demonstra a fragilidade do processo diplomático e o alto risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio.
