Embaixador do Irã critica EUA e Israel em coletiva de imprensa e questiona legitimidade americana.
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, declarou que os Estados Unidos não buscam um acordo nuclear genuíno com o Irã, mas sim utilizam as negociações como uma “farsa” para promover uma “mudança de regime”.
Segundo Nekounam, a postura americana e israelense busca impor uma visão de mundo onde os EUA se consideram “donos do mundo”, uma atitude que ele atribui ao presidente Donald Trump, a quem descreveu como “rei do mundo”.
O diplomata iraniano também fez um paralelo com o caso Jeffrey Epstein, questionando a capacidade dos Estados Unidos de “administrarem o planeta” diante de envolvimentos de figuras proeminentes em escândalos. As informações são da Agência Brasil.
Irã acusa EUA e Israel de sabotarem negociações nucleares
O embaixador Abdollah Nekounam afirmou que os Estados Unidos e Israel atacaram a “mesa de negociação” em Viena, onde especialistas em questões nucleares se reuniriam sob a égide da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele caracterizou essas ações como um impedimento para alcançar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Nekounam argumentou que o objetivo de Israel e EUA seria a promoção da “mudança de regime” no Irã, impulsionados por uma “visão” que os faz crer que são “os donos do mundo”. Ele destacou a busca do Irã por “independência” há 47 anos.
Sucessão de Khamenei e estabilidade do Irã
O diplomata iraniano ressaltou a rápida e eficiente substituição do comando do Líder Supremo Ali Khamenei, que faleceu recentemente, por um Conselho interino. Segundo ele, essa transição garantiu a continuidade da defesa do país de forma “contínua, firme e poderosa”, sem descontinuidade na estrutura de poder do Estado iraniano.
Analistas consultados pela Agência Brasil sugerem que a tentativa de troca de regime em Teerã visa conter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio. Em contrapartida, Washington e Tel Aviv alegam que suas ações são “preventivas” diante do desenvolvimento de um programa nuclear iraniano, que consideram uma ameaça.
Brasil condena uso da força e Irã defende direito de retaliação
Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que condenou o uso da força por Israel e EUA. Ele considerou a posição brasileira “valiosa” e atenta aos “valores do ser humano, de soberania, de integridade territorial e de independência dos governos”.
O embaixador defendeu o direito do Irã de atacar bases militares inimigas, classificando as ações como legítima defesa após ter sido atacado. Ele esclareceu que as ações são direcionadas contra bases militares dos EUA e centros do regime sionista, e não contra territórios de outros países.
Contexto histórico das negociações nucleares
Pela segunda vez em oito meses, o Irã sofreu agressões de Israel e EUA em meio às negociações sobre seu programa nuclear e balístico. Os Estados Unidos, sob a administração Trump, abandonaram o acordo nuclear de 2015, que previa inspeções internacionais do programa iraniano.
Israel e EUA acusam o Irã de buscar armas nucleares, enquanto Teerã afirma que seu programa tem fins pacíficos e se coloca à disposição para inspeções. Israel, por sua vez, nunca permitiu inspeções internacionais em seu programa nuclear, apesar de ser acusado de possuir bombas atômicas.
O presidente Trump, ao iniciar seu segundo mandato em 2025, intensificou a pressão sobre Teerã, exigindo não apenas o desmantelamento do programa nuclear, mas também o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Recentemente, Omã informou que Irã e EUA estariam próximos de um acordo, com o Irã concordando em não manter urânio enriquecido em altos teores.
