O preço do óleo diesel no Brasil apresentou trajetória de baixa pelo quarto período consecutivo nas últimas cinco semanas. De acordo com o monitoramento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o combustível, essencial para o transporte de cargas e passageiros, acumula uma redução de 4,5% no intervalo recente.
Apesar do alívio pontual para o setor produtivo e para o consumidor final, o valor do litro ainda permanece 18,9% acima dos patamares observados antes do início do conflito no Irã, deflagrado em 28 de fevereiro. O monitoramento da ANP, que acompanha o preço médio de revenda, aponta que o diesel S10 atingiu a média de R$ 7,24 na semana compreendida entre 3 e 9 de maio.
Impacto do conflito geopolítico nos custos da energia
A instabilidade internacional, marcada por ataques e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, gerou uma crise na oferta global de petróleo. A região, estratégica para o escoamento de cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás, viu o preço do barril do tipo Brent saltar de US$ 70 para patamares superiores a US$ 100, atingindo picos de US$ 120.
Como o Brasil importa aproximadamente 30% do diesel que consome, a volatilidade da commodity negociada internacionalmente impactou diretamente a economia doméstica. O diesel S10, que compõe cerca de 70% do consumo nacional, reflete essa dependência externa, embora a atuação da Petrobras tenha sido citada como um fator de contenção para evitar repasses integrais da alta do petróleo aos postos.
Medidas governamentais e subvenção aos preços
Para mitigar os efeitos da inflação sobre o frete e o custo dos alimentos, o governo federal implementou uma política de subvenção a produtores e importadores desde 1º de abril. O benefício pode chegar a R$ 1,12 por litro para o diesel produzido internamente e até R$ 1,52 para o importado, condicionado ao repasse do desconto à cadeia de consumo.
Além do auxílio financeiro, a estratégia incluiu a desoneração total das alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível. Especialistas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) avaliam que essas medidas fiscais foram fundamentais para estabilizar a curva de preços, permitindo que os agentes econômicos se ajustassem à nova realidade geopolítica.
Perspectivas e atuação da Petrobras no mercado
A Petrobras manteve uma participação expressiva no fornecimento de derivados, variando entre 75,74% e 78,23% entre 2023 e 2025. Essa presença robusta no mercado permitiu que a estatal atuasse como um amortecedor contra choques abruptos, forçando uma moderação nos preços praticados por outras refinarias e distribuidoras.
Embora a tendência recente seja de queda, o cenário permanece incerto devido à continuidade do conflito no Oriente Médio. Com o barril de petróleo cotado na casa dos US$ 104 em 11 de maio, a pressão sobre os custos de produção persiste, exigindo atenção constante das autoridades sobre a dinâmica de preços e a oferta de combustíveis no território nacional. Para mais detalhes técnicos, consulte o painel de preços da ANP.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
