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Subsídio federal de até R$ 0,89 por litro entra em vigor para conter alta dos combustíveis

BeeNews 13/05/2026 | 17:31 | Brasília
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O governo federal anunciou uma nova estratégia para mitigar o impacto da volatilidade dos preços dos combustíveis no país. A medida central consiste na criação de uma subvenção, um tipo de subsídio custeado pela União, desenhada para aliviar o peso do aumento da gasolina e do diesel sobre os consumidores e o setor produtivo.

Essa iniciativa será formalizada por meio de uma medida provisória (MP) a ser editada pelo presidente da República. O objetivo é oferecer uma resposta rápida às pressões inflacionárias e garantir maior estabilidade nos custos de transporte e produção, elementos cruciais para a economia nacional.

A Estrutura do Novo Mecanismo de Subvenção

A subvenção poderá alcançar até R$ 0,8925 por litro de gasolina e R$ 0,3515 por litro de diesel, conforme detalhado pelo governo. Contudo, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, informou que, inicialmente, o subsídio para a gasolina será de R$ 0,40 a R$ 0,45 por litro. Para o diesel, a subvenção de R$ 0,3515 entrará em vigor a partir de junho, coincidindo com o término da redução a zero dos tributos federais sobre este combustível.

Na prática, o mecanismo funcionará como um reembolso de parte dos tributos federais — como Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) — pagos por refinarias e importadores. O pagamento será administrado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), diretamente às empresas produtoras e importadoras, visando impedir que a totalidade da alta internacional do petróleo seja repassada aos postos e, consequentemente, aos consumidores finais. O ministro Moretti descreveu a medida como um sistema de “cashback” tributário, capaz de absorver choques de preço.

O Cenário Global e a Pressão nos Preços Internos

A justificativa para a implementação do subsídio combustível reside na escalada da cotação internacional do petróleo, intensificada por conflitos geopolíticos. Antes do cenário de crise, o barril do tipo Brent era negociado abaixo de US$ 70, mas atualmente superou a marca de US$ 100 no mercado global. Essa valorização exerce forte pressão sobre os preços internos, levando a Petrobras a sinalizar possíveis reajustes.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, indicou que um aumento no preço da gasolina é iminente. Diante dessa perspectiva, o governo agiu preventivamente com a medida provisória, buscando proteger a população e a economia de um repasse integral desses custos. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esclareceu que a gasolina foi priorizada nesta nova subvenção por não ter recebido compensações tributárias desde o início da crise internacional, ao contrário do diesel, que já havia sido beneficiado por outras ações governamentais.

Impacto Fiscal e a Busca pela Neutralidade

O Ministério da Fazenda estimou os custos mensais da subvenção: cada R$ 0,10 de subsídio na gasolina representa um gasto de R$ 272 milhões, enquanto para o diesel, o valor é de R$ 492 milhões. Com a projeção inicial de R$ 0,40 para a gasolina, o custo mensal para o governo federal será de R$ 1,2 bilhão. Para o diesel, a nova subvenção custará R$ 1,7 bilhão por mês. A validade inicial da medida é de dois meses, com possibilidade de prorrogação.

Apesar dos valores expressivos, o governo assegura que a medida terá neutralidade fiscal, sem impacto negativo sobre os cofres federais. O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, explicou que o aumento das receitas provenientes de royalties, dividendos e participações do setor petrolífero compensará os gastos. Ele ressaltou a importância de atuar rapidamente para mitigar os efeitos da crise para a população, mesmo reconhecendo a impossibilidade de uma neutralização completa.

Estratégias Anteriores e o Projeto no Congresso

Desde março, o governo tem implementado uma série de ações para conter os impactos da alta do petróleo. Entre as medidas já adotadas, destacam-se a zeragem do PIS/Cofins sobre diesel e biodiesel, subsídios para diesel nacional e importado, auxílio para o gás de cozinha, e a isenção de tributos sobre querosene de aviação. Além disso, houve liberação de crédito para companhias aéreas e intensificação da fiscalização contra preços abusivos nos postos, com a atuação conjunta da ANP, Procons e órgãos de segurança.

Paralelamente a essas ações emergenciais, o governo encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que visa permitir o uso de receitas extras obtidas com o petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis. Essa proposta contempla a possibilidade de diminuir impostos sobre gasolina, diesel, etanol e biodiesel em períodos de alta cotação internacional do petróleo. Enquanto o projeto aguarda votação, a medida provisória foi adotada como um instrumento imediato para evitar um aumento abrupto nos preços nas bombas, demonstrando a proatividade governamental na gestão da crise. Para mais informações sobre as ações econômicas do governo, visite a seção de economia da Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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