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Crise no agronegócio derruba lucro do Banco do Brasil em 54% no primeiro trimestre

BeeNews 13/05/2026 | 21:26 | Brasília (Atualizado 13/05/2026 às 21:27)
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O Banco do Brasil (BB) registrou uma significativa queda em seu lucro líquido ajustado no primeiro trimestre de 2026, totalizando R$ 3,4 bilhões. Este resultado representa um recuo de 54% em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme balanço divulgado pela instituição. A principal causa para essa retração é a crescente inadimplência no setor de crédito rural, que tem pressionado os resultados do banco e levado a uma revisão das projeções de lucro para o ano.

A deterioração do cenário no agronegócio brasileiro, com o aumento dos atrasos de pagamento por parte dos produtores rurais, impactou diretamente a saúde financeira do BB, que é um dos maiores financiadores do setor. Além da queda nos lucros, a instituição também precisou ajustar suas expectativas para o desempenho financeiro de todo o ano de 2026, refletindo a cautela diante das adversidades econômicas e setoriais.

Impacto da crise no agronegócio

A crise no agronegócio se consolidou como o principal desafio enfrentado pelo Banco do Brasil. O aumento dos atrasos de pagamento entre os produtores rurais elevou consideravelmente o custo do crédito e exigiu que a instituição destinasse mais recursos para cobrir possíveis calotes. A provisão para perdas, que é a reserva de dinheiro que o banco separa para cobrir empréstimos com risco de inadimplência, atingiu R$ 16,8 bilhões, um aumento de 46% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Em nota, o Banco do Brasil explicou que esse crescimento nas perdas esperadas reflete diretamente a elevação da inadimplência nas operações com o setor rural. O índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira rural chegou a 6,22%, um avanço de 3,5 pontos percentuais em apenas um ano. Para efeito de comparação, a inadimplência geral do banco ficou em 5,05%.

Este cenário adverso no campo tem suas raízes na quebra da safra de soja em 2024, após um período de produção recorde em 2023. Essa mudança abrupta nas condições de mercado resultou em um aumento significativo de recuperações judiciais entre produtores rurais ao longo de 2024 e 2025, impactando a capacidade de pagamento de empréstimos.

Revisão de projeções e rentabilidade

Diante do panorama desafiador, o Banco do Brasil revisou para baixo sua projeção de lucro para 2026. A estimativa anterior, que previa um resultado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, foi ajustada para uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Essa revisão reflete uma avaliação mais conservadora das condições econômicas e setoriais.

Os fatores considerados para essa reavaliação incluem o agravamento do risco no agronegócio, as incertezas geopolíticas globais, os impactos sobre a economia nacional e a piora em diversos indicadores macroeconômicos. Além disso, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), um indicador crucial de rentabilidade para o mercado financeiro, também apresentou deterioração. A taxa caiu de 16,7% para 7,3% em 12 meses, uma redução de 9,4 pontos percentuais, e ficou abaixo dos 12,4% registrados no último trimestre de 2025.

Estratégias para mitigar riscos

Para enfrentar os impactos da crise no campo, o Banco do Brasil implementou e reforçou uma série de mecanismos de cobrança e renegociação de dívidas. Uma das iniciativas de destaque é o programa BB Regulariza Dívidas Agro, que visa oferecer soluções para os produtores rurais em dificuldades. Por meio deste programa, foram renegociados R$ 37,9 bilhões em dívidas, abrangendo mais de 73 mil operações e atendendo cerca de 25,5 mil produtores rurais.

A instituição também informou que ampliou o uso de garantias em suas operações de crédito e intensificou as ações judiciais para a recuperação de créditos inadimplentes. Essas medidas buscam proteger o balanço do banco e garantir a sustentabilidade de suas operações em um ambiente de maior risco.

Crescimento da carteira de crédito e ativos

Apesar do cenário de maior dificuldade, a carteira total de crédito do Banco do Brasil demonstrou resiliência, crescendo 2,2% em um ano e alcançando R$ 1,3 trilhão. O segmento de pessoas físicas foi um dos destaques positivos, impulsionado principalmente pelo crédito consignado, que continua a ser uma modalidade robusta.

Os ativos totais do banco encerraram o trimestre em R$ 2,6 trilhões, enquanto o patrimônio líquido alcançou R$ 194,9 bilhões. Esses números indicam que, mesmo diante dos desafios setoriais, o Banco do Brasil mantém uma base sólida e continua a expandir sua atuação em outras frentes, buscando diversificar seus riscos e fontes de receita. Para mais detalhes sobre o desempenho do banco, consulte a Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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