feira (14) (Foto: RAJAT GUPTA/EFE/EPA )

Chanceler iraniano acusa EUA e Israel, expondo tensões na reunião de ministros do Brics

BeeNews 14/05/2026 | 09:34 | Brasília
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A reunião de ministros das Relações Exteriores do Brics, realizada em Nova Délhi, Índia, entre 14 e 15 de maio de 2026, foi marcada por um cenário de crescentes tensões geopolíticas. O encontro, que precede a cúpula de líderes do bloco agendada para setembro, tornou-se palco de um franco debate sobre a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, e as complexas alianças regionais.

Durante as deliberações, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez um apelo contundente para que o bloco de países emergentes condenasse os Estados Unidos e Israel pela guerra iniciada em 28 de fevereiro, com um cessar-fogo tenso desde 7 de abril. Além disso, Araghchi direcionou acusações diretas aos Emirados Árabes Unidos, apontando-os como colaboradores na “agressão” contra o regime persa.

Irã exige condenação internacional e denuncia “expansionismo ilegal”

As declarações do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ocorreram em um momento crítico para a diplomacia global. Ele descreveu a guerra, deflagrada com ataques americanos e israelenses ao Irã, como um ato de “expansionismo ilegal e belicismo”, conforme informações divulgadas pela agência Reuters. A postura firme do Irã visa mobilizar o apoio dos membros do Brics e da comunidade internacional contra as ações que considera violações do direito internacional.

“O Irã, portanto, apela aos Estados-membros dos Brics e a todos os membros responsáveis da comunidade internacional para que condenem explicitamente as violações do direito internacional pelos Estados Unidos e por Israel”, afirmou Araghchi durante a reunião. Este pedido sublinha a gravidade da situação e a busca iraniana por solidariedade política dentro de um fórum multilateral.

Divisões no Brics se aprofundam com acusações contra aliados

O impasse gerado pelas declarações de Araghchi expõe profundas divisões dentro do bloco Brics, que recentemente passou por uma significativa expansão. As tensões entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, que são aliados dos Estados Unidos, já haviam impedido a emissão de uma declaração conjunta durante uma reunião preparatória de vice-ministros e enviados especiais do bloco, realizada no final de abril.

A composição do Brics foi ampliada em janeiro de 2024 com a entrada de Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã, juntando-se aos membros originais Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Em 2025, a Indonésia também ingressou no grupo. Essa diversidade de interesses e alianças geopolíticas torna a busca por consensos ainda mais desafiadora, especialmente em temas sensíveis como conflitos regionais.

Emirados Árabes Unidos no centro da controvérsia iraniana

A acusação direta de Abbas Araghchi contra os Emirados Árabes Unidos adicionou uma camada de complexidade às discussões. O chanceler iraniano fez referência a uma declaração anterior do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que teria afirmado ter visitado os Emirados Árabes durante a guerra, embora o país árabe tenha negado veementemente tal visita.

Em entrevista à imprensa estatal iraniana, Araghchi declarou: “Não mencionei os Emirados Árabes Unidos em minha declaração [na reunião dos Brics] em nome da unidade. Mas a verdade é que os Emirados Árabes Unidos estiveram diretamente envolvidos na agressão contra meu país. Quando os ataques começaram, eles nem sequer emitiram uma condenação”. Esta declaração reforça a percepção iraniana de cumplicidade.

Historicamente, a relação entre Irã e Emirados Árabes Unidos tem sido tensa. Em abril, o governo dos Emirados Árabes afirmou que o Irã deveria arcar com os custos dos danos causados pelos ataques do regime de Teerã a países do Golfo Pérsico durante a guerra contra Estados Unidos e Israel. Teerã, por sua vez, alega ter visado apenas bases americanas nessas nações. Além disso, os Emirados Árabes interceptaram mísseis e drones iranianos durante o conflito, e o The Wall Street Journal relatou que o país árabe teria realizado operações militares contra o Irã no início de abril, intensificando as alegações de envolvimento direto.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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