Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral , divulgada nesta quinta-feira

Desemprego prolongado atinge menor nível em mais de uma década, revela IBGE

BeeNews 14/05/2026 | 16:35 | Brasília
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O Brasil registrou uma queda significativa no número de pessoas que buscam emprego há dois anos ou mais, atingindo o menor patamar desde o início da série histórica em 2012. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14), revelam que o contingente de desocupados de longa duração diminuiu 21,7% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

Este resultado representa 1,089 milhão de pessoas nessa situação, marcando um recorde mínimo que reflete a dinâmica atual do mercado de trabalho. Em 2025, o país contava com quase 1,4 milhão de indivíduos procurando ocupação por pelo menos 24 meses, enquanto o pico foi registrado em 2021, auge da pandemia de covid-19, com 3,5 milhões de pessoas.

Redução histórica no desemprego de longa duração

A diminuição do desemprego prolongado é um dos destaques do relatório do IBGE para o primeiro trimestre de 2026. A queda de 21,7% em relação ao ano anterior sublinha uma tendência de melhora na capacidade de realocação dos trabalhadores no mercado. Este dado é crucial para entender a recuperação econômica e a resiliência da força de trabalho brasileira.

O patamar atual de 1,089 milhão de pessoas buscando emprego por mais de dois anos é o mais baixo já documentado desde 2012, ano em que a Pnad Contínua começou a monitorar esses indicadores. Essa redução contrasta fortemente com os anos de maior dificuldade, como 2021, quando a crise sanitária impactou severamente a empregabilidade no país.

Panorama das diferentes faixas de tempo de busca

Além do desemprego de longa duração, a pesquisa do IBGE detalha o comportamento em outras faixas temporais de busca por trabalho, mostrando um cenário geral de otimismo. Na categoria de mais de um mês a menos de um ano, o número de pessoas em busca de vaga recuou 9,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025, totalizando 3,380 milhões de pessoas. O maior volume para essa faixa foi de 7 milhões, também em 2021.

Para aqueles que procuravam emprego por mais de um ano a menos de dois anos, houve uma redução de 9% em comparação com 2025, somando 718 mil pessoas. O pico para essa faixa foi de 2,6 milhões, igualmente em 2021. A única categoria que não apresentou um recorde mínimo foi a de menos de um mês de procura, com quase 1,4 milhão de pessoas nessa situação, um valor 14,7% abaixo do ano passado, mas superior ao nível de 2014 (1,016 milhão).

A pesquisa detalhou ainda a distribuição dos 6,6 milhões de desocupados do país por tempo de procura:

  • Menos de um mês: 21,2%
  • Um mês a menos de um ano: 51,4%
  • Um ano a menos de dois anos: 10,9%
  • Dois anos ou mais: 16,5%

Dinâmica do mercado de trabalho e o papel do trabalho autônomo

O analista da pesquisa, William Kratochwill, destacou que os patamares mínimos observados nas faixas de tempo de procura por emprego refletem um mercado de trabalho mais dinâmico. “As pessoas estão gastando menos tempo para se realocar. O mercado está mais dinâmico”, afirmou. Essa agilidade sugere que as oportunidades de emprego estão surgindo com maior frequência, permitindo que os trabalhadores encontrem novas posições mais rapidamente.

Kratochwill também descartou a hipótese de que a redução do desemprego mais longo esteja ligada ao desalento, fenômeno em que as pessoas desistem de procurar trabalho por falta de esperança. “A desistência é um ponto que já podemos descartar. O mercado de trabalho tem se mostrado persistente nas contratações e na manutenção do emprego”, explicou. Contudo, o pesquisador fez uma ressalva importante: “não necessariamente é melhora na qualidade do trabalho”.

Um fator que colabora para a redução do desemprego, especialmente o de longa duração, é o aumento no número de trabalhadores por conta própria. De acordo com a Pnad Contínua, o Brasil contava com 25,9 milhões de trabalhadores nessa condição no primeiro trimestre de 2026, representando 25,5% da população ocupada. Em contraste, nos três primeiros meses de 2012, eram 20,1 milhões de trabalhadores por conta própria. “Eles tomam a iniciativa de ser seu próprio negócio”, concluiu Kratochwill, apontando para o empreendedorismo individual como uma via para a ocupação. Para mais detalhes sobre a pesquisa, acesse a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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