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Lula aponta para investigação policial em vínculos de Flávio Bolsonaro com banqueiro Vorcaro

BeeNews 14/05/2026 | 18:37 | Brasília
4 min de leitura 745 palavras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (14) que os laços entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra detido sob acusações de fraudes financeiras, constituem um assunto de natureza policial. A afirmação foi feita em resposta a uma jornalista durante a visita do presidente à fábrica de fertilizantes nitrogenados Fafen, localizada em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, Bahia.

Lula enfatizou que não se trata de uma questão de sua alçada como presidente, mas sim de uma matéria para as autoridades competentes. “Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, reiterou o presidente, distanciando-se da esfera investigativa e judicial.

O Envolvimento Financeiro de Flávio Bolsonaro e a Reportagem do Intercept

A polêmica à qual o presidente se referia envolve o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e foi detalhada em uma reportagem do portal The Intercept Brasil. A matéria jornalística revelou supostas negociações para o repasse de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, com o objetivo de financiar a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente, que esteve à frente do país entre 2019 e 2022.

A publicação do Intercept divulgou um áudio atribuído ao próprio senador, no qual ele menciona a importância do projeto cinematográfico sobre seu pai e a necessidade de envio de recursos para quitar “parcelas para trás”. A reportagem também apresentou outras mensagens de WhatsApp vazadas, além de documentos e comprovantes bancários, indicando que parte do montante teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025.

O Banqueiro Daniel Vorcaro e as Acusações de Fraude

Daniel Vorcaro, figura central neste escândalo, está atualmente preso sob suspeita de liderar uma organização criminosa dedicada a fraudes financeiras. As operações ilícitas teriam sido realizadas por meio do Banco Master, instituição que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central (BC) no final do ano passado. A decisão do BC ocorreu após a constatação da incapacidade do banco em cumprir com os depósitos e aplicações de seus clientes.

As últimas comunicações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, conforme a reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período que se mostrou crítico para o Banco Master e seu CEO. Pouco mais de uma semana após essa troca de mensagens, o Banco Central decretou a liquidação da instituição, e a Polícia Federal (PF) efetuou a prisão do banqueiro em um dos desdobramentos da operação que investiga as fraudes financeiras. Vorcaro permanece detido na Superintendência da PF em Brasília e, segundo informações, está em processo de negociação de um acordo de delação premiada.

A Defesa de Flávio Bolsonaro e as Repercussões

Horas após a divulgação da reportagem do Intercept, Flávio Bolsonaro, que inicialmente negou as acusações, admitiu ter solicitado os recursos e ter mantido contato com Daniel Vorcaro. Contudo, o parlamentar defendeu que se tratava de uma questão estritamente privada. “É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, esclareceu o senador.

Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro acrescentou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo anterior já havia terminado e não existiam acusações ou suspeitas públicas contra o banqueiro. Ele afirmou que o contato foi retomado devido a atrasos no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. O senador negou ter oferecido qualquer vantagem indevida em troca dos repasses, bem como ter promovido encontros privados fora da agenda, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou outras vantagens. Em contrapartida, ele reiterou seu pedido por uma CPI do Master.

O filme, que estaria sendo produzido por uma empresa estrangeira com atores e equipes internacionais, tem previsão de lançamento ainda para este ano. A matéria do Intercept aponta que o apoio financeiro envolveria transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos, gerenciado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Diante das revelações, deputados federais da base governista apresentaram denúncias à Polícia Federal e à Receita Federal, solicitando a apuração de possíveis ilegalidades nas transações e a verificação de qualquer relação dos recursos com propina.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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