Uma missão arqueológica egípcia anunciou a descoberta de uma câmara funerária subterrânea na cidade de Luxor, um achado que promete reescrever aspectos da história do Antigo Egito. A câmara, que permaneceu oculta por milênios, continha 22 caixões de madeira pintados, todos abrigando múmias, além de oito papiros raros, alguns dos quais ainda preservam seus selos de argila originais.
A revelação, feita pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito no início de março, destaca a contínua riqueza arqueológica da necrópole tebana. Esta descoberta não só adiciona um volume significativo ao registro de achados egípcios, mas também abre novas frentes de pesquisa sobre a vida e os rituais da XVIII Dinastia.
Revelação da câmara oculta em Sheikh Abd el-Qurna
A câmara funerária foi encontrada em Sheikh Abd el-Qurna, uma área vital da necrópole tebana, situada na margem oeste do Rio Nilo. O local específico da descoberta foi o canto sudoeste do pátio do túmulo de Djeserkaraseneb, um escriba e contador de grãos do templo de Amon, que viveu por volta de 1400 a.C. durante o reinado do faraó Tutmés IV.
A missão arqueológica foi uma colaboração entre profissionais do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito e da Fundação Zahi Hawass para Antiguidades e Patrimônio. Além dos caixões e papiros, a equipe recuperou vasos de cerâmica que, segundo os pesquisadores, foram utilizados para armazenar materiais essenciais no processo de mumificação, como natrão, resinas e tecidos de linho.
O mistério das Cantoras de Amon
Um dos aspectos mais intrigantes da descoberta reside nos caixões, a maioria dos quais não apresenta nomes, mas sim títulos. O título mais recorrente é “Cantora de Amon”, uma designação dada a mulheres que desempenhavam um papel fundamental nos rituais do templo de Karnak, um dos centros religiosos mais importantes do Antigo Egito.
Hisham al-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, enfatizou que a predominância desse título abre uma nova e promissora linha de pesquisa sobre o papel das mulheres no culto a Amon. As Cantoras de Amon eram frequentemente envolvidas em rituais que incluíam música e canto sagrado, e geralmente pertenciam a famílias ligadas à elite sacerdotal tebana, sugerindo uma complexa estrutura social e religiosa.
Papiros selados: um tesouro de informações
Os oito papiros foram encontrados cuidadosamente guardados dentro de uma grande vasilha de cerâmica, na mesma câmara funerária. Eles variam em tamanho e, notavelmente, alguns ainda conservam os selos de argila originais, que permaneceram intactos por aproximadamente três milênios. Esta preservação excepcional é um feito raro e de imenso valor histórico.
Afifi Rahim, supervisor da missão, descreveu os documentos como um “tesouro de informações” cujo conteúdo exato será revelado após um meticuloso trabalho de restauração e tradução em laboratório. A expectativa é que os textos possam conter hinos religiosos, composições funerárias, registros administrativos do templo de Amon ou até mesmo cópias de capítulos do Livro dos Mortos, oferecendo insights inéditos sobre um período pouco documentado da história egípcia.
Próximos passos na investigação arqueológica
Zahi Hawass, ex-ministro de Antiguidades do Egito e chefe da missão, esclareceu que o espaço descoberto não era um túmulo original, mas sim um depósito secundário. Ele teoriza que os caixões foram transferidos para este local a partir de seus sepultamentos originais em algum momento da antiguidade, uma prática comum em períodos de instabilidade ou para proteger os restos mortais.
O ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, classificou a descoberta como um “acréscimo significativo” ao patrimônio arqueológico egípcio, reforçando a estratégia oficial de valorização cultural, especialmente na região de Luxor. A próxima fase da missão será crucial: localizar os túmulos originais de onde os 22 caixões foram retirados. Este passo pode determinar se as Cantoras de Amon foram inicialmente sepultadas juntas como um grupo do templo ou se foram reunidas em um único depósito em um momento posterior, fornecendo mais detalhes sobre suas vidas e práticas funerárias. Para mais informações sobre arqueologia egípcia, visite o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.
Fonte: gazetadopovo.com.br
