Em um cenário de crescentes tensões, Cuba emitiu uma forte advertência aos Estados Unidos, prometendo um “banho de sangue” caso o país realize uma operação militar na ilha. A declaração, feita pelo ditador cubano Miguel Díaz-Canel, surge um dia após a divulgação de uma reportagem que detalhava supostos planos militares de Cuba contra alvos americanos.
A retórica acalorada reflete a complexa e historicamente conturbada relação entre as duas nações, que oscila entre períodos de hostilidade e tentativas esporádicas de diálogo. As recentes afirmações de Díaz-Canel sublinham a postura defensiva de Havana diante do que descreve como uma “agressão multidimensional” por parte de Washington.
Advertência de Cuba sobre conflito iminente
Nesta segunda-feira, 18, Miguel Díaz-Canel declarou que qualquer incursão militar dos Estados Unidos em território cubano resultaria em um “banho de sangue”. A afirmação foi proferida em resposta a uma matéria do site americano Axios, publicada no domingo, 17, que reportava a aquisição de mais de 300 drones militares por Cuba.
Segundo a reportagem, o regime cubano estaria discutindo planos para empregar esses drones em ataques contra a base americana de Guantánamo, navios militares dos EUA e a cidade de Key West, na Flórida. A advertência de Díaz-Canel destaca a gravidade percebida da situação e a determinação de Cuba em resistir a qualquer agressão externa.
Relatos de aquisição de drones e planos de defesa
A reportagem do Axios, que não foi confirmada nem desmentida diretamente por Díaz-Canel em relação à aquisição dos drones, adiciona uma nova camada de preocupação ao já frágil relacionamento bilateral. A menção de planos para atacar a base de Guantánamo, um enclave americano em território cubano com uma história de disputas, e alvos na Flórida, ressalta a potencial escalada do conflito.
Embora não tenha abordado especificamente a questão dos drones, Díaz-Canel enfatizou o “direito absoluto e legítimo” de Cuba de se defender. Ele argumentou que a ilha, já sob o que ele classifica como “agressão multidimensional” dos EUA, não pode ter seu direito à defesa usado como pretexto para uma guerra contra o povo cubano.
Posicionamento cubano: direito à defesa e negação de ameaça
O líder cubano reiterou que seu país “não representa uma ameaça nem tem planos ou intenções agressivas contra nenhum país”, incluindo os Estados Unidos. Ele afirmou que o governo americano, especialmente suas agências de defesa e segurança nacional, tem pleno conhecimento dessa postura.
Díaz-Canel alertou que um ataque militar americano teria consequências catastróficas para ambas as partes e para a estabilidade regional. Ele descreveu um cenário de “impacto destrutivo para a paz e a estabilidade regional”, caso a investida bélica se concretize, conforme informações da agência EFE.
Dinâmica das relações EUA-Cuba e o papel de Trump
As declarações de Cuba ocorrem em um contexto de flutuações na política externa dos EUA em relação à ilha. Anteriormente, o presidente americano Donald Trump havia ameaçado impor tarifas e intensificar sanções contra o regime cubano, chegando a sugerir que Cuba seria “a próxima” após ações militares americanas na Venezuela e no Irã.
No entanto, Trump surpreendeu ao alegar, na semana passada, que buscava diálogo com Havana. Em uma publicação na rede Truth Social, ele escreveu: “Cuba está pedindo ajuda, e nós vamos conversar!”. Essa mudança na retórica de Trump adiciona complexidade à já volátil dinâmica entre os dois países, cujas relações entre Cuba e Estados Unidos são marcadas por décadas de desconfiança e embargos.
Fonte: gazetadopovo.com.br
