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Debate sobre maioridade penal retorna à CCJ com argumentos divergentes

BeeNews 19/05/2026 | 10:19 | Brasília
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados retomou a discussão sobre a proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A medida, que visa alterar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/15, tem gerado um intenso debate entre parlamentares e especialistas, evidenciando a polarização de opiniões sobre o tema.

A análise da admissibilidade da PEC é um passo crucial. Caso seja acolhida pela CCJ, a proposta avançará para ser discutida em uma comissão especial, onde os detalhes e implicações serão aprofundados antes de seguir para votação em plenário.

Retomada do Debate na Comissão de Constituição e Justiça

A retomada das discussões na CCJ ocorre após uma audiência pública que evidenciou a divisão de opiniões. Durante o encontro, o relator da proposta, deputado Coronel Assis, destacou uma pesquisa que indica um amplo apoio popular à redução da maioridade penal, com cerca de 90% dos brasileiros defendendo a medida. Para o parlamentar, é fundamental que o Legislativo responda a esse clamor social.

Ele argumenta que a Constituição Federal permite tal alteração, propondo um caminho técnico e equilibrado. A ideia é manter a inimputabilidade geral até os 18 anos, mas criar uma exceção específica para jovens de 16 e 17 anos envolvidos em crimes de extrema gravidade. A proposta do relator inclui a manutenção de garantias essenciais para esses jovens, como o cumprimento de penas em unidades separadas dos adultos, a aplicação de procedimentos processuais específicos e a proibição de penas cruéis, buscando um equilíbrio entre a punição e a proteção dos direitos fundamentais.

A Posição Contrária e a Defesa dos Direitos dos Adolescentes

Em contrapartida, a proposta enfrenta forte oposição de setores da sociedade civil e do meio jurídico. O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), classificou a PEC como “oportunista e demagógica”. Segundo ele, a iniciativa teria fins eleitoreiros, especialmente em um ano de pleito.

Alves ressalta a inconstitucionalidade da proposta, argumentando que ela suprime direitos fundamentais dos adolescentes, que atualmente respondem por seus atos com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não pelo Código Penal. Ele enfatiza que o critério de maioridade penal aos 18 anos é um padrão adotado por diversas nações, e que a redução da idade penal poderia ser interpretada como um reconhecimento da incapacidade do Estado em educar e incluir socialmente seus adolescentes. Para o advogado, quando o Estado, a sociedade e as famílias falham na inclusão, o crime acaba preenchendo essa lacuna, tornando a proposta ilusória e com o potencial de ludibriar a opinião pública.

O Contexto Numérico da População Adolescente no Sistema

Para contextualizar o debate sobre a maioridade penal, dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que o país possui aproximadamente 12 mil adolescentes em unidades de internação ou em privação de liberdade. Esse número representa uma parcela ínfima da população jovem brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 28 milhões de jovens nessa faixa etária no país, o que significa que menos de 1% deles estão envolvidos com o sistema socioeducativo ou prisional.

Essa perspectiva numérica é frequentemente utilizada nos argumentos contra a redução da maioridade penal, sugerindo que o problema da criminalidade juvenil, embora grave, não justificaria uma alteração tão drástica na legislação que afeta a totalidade dos adolescentes. O debate, portanto, continua a ser uma das pautas mais sensíveis e complexas no cenário político e social do país, com implicações profundas para o futuro da juventude e do sistema de justiça.

Para mais informações sobre a proposta, acesse a íntegra da PEC 32/15.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Palavras-chave: adolescente, câmara, crime, debate, educação, justiça, maioridade, penal, sociedade, proposta, adolescentes, comissão, constituição, redução, direitos
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