O presidente russo, Vladimir Putin, iniciou uma visita oficial à China, um movimento diplomático de grande relevância que ocorre dias após a passagem do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo país asiático. A viagem de Putin, programada para se estender até a quinta-feira, tem como eixos centrais a discussão de “crises-chave” globais e o aprofundamento de temas bilaterais de ordem econômica, conforme comunicado pelo Kremlin.
Este encontro entre os líderes da Rússia e da China sublinha a crescente aproximação entre os dois regimes, que têm fortalecido suas relações nos últimos anos. A visita de Putin coincide com o 25º aniversário do Acordo de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação, assinado entre Moscou e Pequim em 2001, um marco que ressalta a longevidade e a evolução de sua parceria estratégica.
Aprofundando a Agenda Diplomática e as Relações Bilaterais
A agenda de conversas entre a Rússia e a China é descrita como “muito ampla”, abrangendo tanto questões bilaterais quanto internacionais. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Andrei Rudenko, destacou que todas as questões e crises mais graves que o mundo enfrenta atualmente serão abordadas, conforme citado pela agência de notícias Tass. Essa declaração aponta para a intenção de Moscou e Pequim de se posicionarem como atores centrais na resolução de desafios globais.
Um ponto de interesse particular é a possibilidade de discussão sobre os resultados da visita de Donald Trump à China na semana anterior. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, especificou que a viagem de Putin permitiria a Moscou obter informações diretas e trocar opiniões sobre as negociações com Washington, indicando uma coordenação estratégica entre os dois países em relação às suas interações com os Estados Unidos.
Laços Estratégicos e a Posição sobre a Ucrânia
A relação entre Rússia e China tem sido marcada por uma “amizade ilimitada”, proclamada por Xi Jinping e Putin em Pequim pouco antes da invasão russa em larga escala da Ucrânia, em 2022. Desde o início do conflito no leste europeu, a China tem mantido uma postura que, embora defenda o respeito à soberania de todos os países, incluindo a Ucrânia, também insiste na necessidade de atender às “legítimas preocupações de segurança” da Rússia.
Essa complexa posição foi complementada por uma reportagem da Reuters, que revelou o treinamento secreto de aproximadamente 200 militares russos pelas forças armadas chinesas no final do ano passado. Parte desses militares estaria, inclusive, atuando na guerra na Ucrânia, o que adiciona uma camada de profundidade à cooperação militar entre os dois países e às implicações da “amizade ilimitada”.
Cooperação Energética e Econômica em Foco
Uma das principais frentes de discussão entre os dois líderes é a cooperação energética. A China consolidou-se como o principal destino do petróleo e gás russos nos últimos anos, um movimento crucial para Moscou em sua busca por expandir as exportações de energia para a Ásia. No ano passado, a Rússia enviou 101 milhões de toneladas de petróleo e 49 bilhões de metros cúbicos de gás para Pequim, evidenciando a robustez dessa parceria.
A imprensa estatal chinesa estimou que o comércio bilateral atingiu US$ 227,9 bilhões em 2025, com destaque para a diversificação em setores como máquinas, tecnologia, comércio eletrônico e outras áreas emergentes. Um dos grandes projetos em pauta é a construção do gasoduto Força da Sibéria-2, que visa transportar gás russo para a China através da Mongólia. A concretização de novos acordos no setor energético pode reativar parcialmente a economia russa e, simultaneamente, fornecer financiamento para a máquina de guerra na Ucrânia.
Acordos e a Visão de uma Nova Ordem Mundial
A visita de Putin à China, que teve sua última ocorrência em setembro de 2025, é vista como um momento para solidificar ainda mais a aliança. Espera-se que o presidente russo retorne ao país em novembro para participar da cúpula da APEC em Shenzhen. Sua comitiva é composta por 39 pessoas, indicando a amplitude e a importância das delegações envolvidas.
Ao final da cúpula, o Kremlin prevê a assinatura de cerca de 40 acordos. Entre eles, destacam-se uma declaração conjunta sobre o fortalecimento da parceria e cooperação estratégica, e outra sobre o advento de uma nova ordem mundial e um novo tipo de relações internacionais. Esses documentos sinalizam a ambição de Rússia e China de redefinir o panorama geopolítico global, promovendo uma visão alternativa ao modelo ocidental.
Para mais informações sobre relações internacionais, visite o site da Reuters.
Fonte: gazetadopovo.com.br
