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Bolívia: EUA alertam para tentativa de golpe em meio a protestos e UE pede calma

BeeNews 19/05/2026 | 20:21 | Brasília
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A Bolívia se encontra em um cenário de crescente instabilidade política, com protestos e bloqueios que têm gerado reações divergentes na comunidade internacional. Enquanto a União Europeia (UE) apela por moderação e diálogo, os Estados Unidos (EUA) adotaram uma postura mais incisiva, denunciando uma tentativa de golpe contra o governo democraticamente eleito do presidente Rodrigo Paz. A escalada dos eventos, que envolvem manifestações promovidas por setores da oposição, tem colocado em xeque a estabilidade institucional do país sul-americano, levantando preocupações sobre o futuro da sua democracia e a segurança regional.

A Denúncia dos Estados Unidos sobre Tentativa de Golpe na Bolívia

O governo dos Estados Unidos, por meio do vice-secretário de Estado Christopher Landau, expressou forte preocupação com a situação boliviana, classificando os atos como uma tentativa de golpe. Landau afirmou que os protestos violentos são orquestrados por grupos que foram “derrotados de forma esmagadora” nas eleições do ano anterior e que agora buscam derrubar o presidente Paz. Ele destacou que esses setores contam com o apoio de organizações criminosas e narcotraficantes, elementos que, segundo a diplomacia americana, comprometem a legitimidade das manifestações.

Em suas declarações públicas, o diplomata americano ressaltou o caráter ilegítimo das ações, descrevendo a crise como “um golpe de Estado em andamento” financiado por uma “aliança perversa entre a política e o crime organizado”. Landau também confirmou ter conversado por telefone com o presidente Rodrigo Paz, reiterando o apoio incondicional dos Estados Unidos ao governo constitucional legítimo da Bolívia. Essa postura sublinha a importância da manutenção da ordem democrática e do respeito aos resultados eleitorais, conforme a visão de Washington.

A Posição Cautelosa da União Europeia diante da Crise Boliviana

Em contraste com a firmeza americana, a União Europeia adotou um tom mais diplomático e cauteloso diante da crise política na Bolívia. Em um comunicado conjunto emitido em La Paz, o bloco europeu, juntamente com as embaixadas da Alemanha, Espanha, França, Itália e Suécia, pediu “calma e diálogo” a todas as partes envolvidas. A declaração enfatizou a necessidade de respeito irrestrito à democracia, à ordem constitucional e às instituições bolivianas, ao mesmo tempo em que condenou veementemente todos os atos de violência que têm marcado os protestos.

A abordagem europeia busca incentivar uma solução pacífica e negociada para os impasses, priorizando a estabilidade e a preservação dos princípios democráticos no país. Este posicionamento reflete a preocupação em evitar uma escalada ainda maior da tensão, ao mesmo tempo em que reafirma a importância do Estado de Direito e da resolução de conflitos por vias institucionais, sem recurso à força ou à desestabilização.

A Escalada dos Protestos e suas Origens na Bolívia

As manifestações que assolam a Bolívia tiveram início com reivindicações sindicais legítimas, mas rapidamente evoluíram para um movimento mais amplo, incluindo pedidos explícitos de renúncia do presidente Rodrigo Paz. Autoridades bolivianas indicaram que os protestos resultaram em pelo menos dez feridos e 69 detidos, com bloqueios significativos nas principais vias e centros urbanos das regiões de La Paz, Oruro e Cochabamba. Além disso, foram registrados ataques a prédios públicos, saques e a queima de um veículo policial, evidenciando a intensidade e o caráter destrutivo de parte da mobilização.

A crise se aprofundou na última semana com a adesão de sindicatos e outros setores alinhados ao ex-presidente Evo Morales, que tem sido uma figura central na oposição ao governo atual. Morales, por sua vez, caracterizou os protestos como uma “elevação do povo” e criticou abertamente o governo Paz por supostamente implementar políticas “neoliberais”, adicionando uma camada ideológica e política significativa à mobilização social e polarizando ainda mais o cenário político.

Apelo Internacional por Monitoramento da Crise Boliviana

Diante da complexidade e da gravidade da situação, o Grupo Idea, composto por 31 ex-presidentes da região, emitiu um apelo formal à Organização dos Estados Americanos (OEA) e aos governos democráticos das Américas. O grupo solicitou um acompanhamento rigoroso da situação na Bolívia, alertando para o risco de que a manipulação política das manifestações possa comprometer seriamente a estabilidade das instituições democráticas do país. A iniciativa reforça a preocupação regional com a preservação da ordem constitucional e a integridade do processo político boliviano, destacando a necessidade de vigilância para evitar retrocessos democráticos. Para mais informações sobre a atuação da OEA em crises regionais e sua defesa da democracia, visite o site oficial da organização. Organização dos Estados Americanos.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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