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Relatório aponta que China treinou militares russos para atuar na Ucrânia

BeeNews 19/05/2026 | 10:21 | Brasília
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Uma reportagem da agência Reuters, divulgada nesta terça-feira (19), revelou que a China teria secretamente treinado cerca de 200 militares russos no final do ano passado, com parte desses soldados já atuando na guerra na Ucrânia. As informações, obtidas por meio de três agências de inteligência europeias e documentos confidenciais, sugerem um envolvimento de Pequim no conflito ucraniano mais profundo do que o anteriormente reconhecido.

Apesar de se declarar neutra no conflito, a suposta assistência chinesa à Rússia intensifica o debate sobre a real postura de Pequim em relação à agressão ao país vizinho. A notícia surge em um momento de intensa movimentação diplomática, com o presidente russo, Vladimir Putin, iniciando uma visita de dois dias à China, logo após o presidente americano, Donald Trump, ter sido recebido em Pequim.

Detalhes do treinamento secreto e o acordo de cooperação

A apuração da Reuters detalha que as sessões de treinamento secretas se concentraram principalmente no uso de drones, uma tecnologia crucial no cenário da guerra moderna. Este tipo de capacitação pode oferecer uma vantagem tática significativa às forças russas no campo de batalha.

A parceria de treinamento foi formalizada em um acordo assinado por altos oficiais russos e chineses em Pequim, em 2 de julho de 2025. Conforme o documento, cerca de 200 soldados russos seriam treinados em instalações militares localizadas em cidades como Pequim e Nanjing, no leste da China. As fontes da Reuters confirmaram que este treinamento foi efetivamente realizado, apesar da data futura do acordo, conforme reportado pela agência.

O acordo bilateral também prevê uma via de mão dupla na cooperação militar, estipulando que centenas de soldados chineses passariam por treinamento em instalações militares na Rússia. Esta cláusula indica uma troca de conhecimentos e experiências que transcende a mera assistência unilateral.

A parceria “sem limites” e a postura oficial de Pequim

Os ministérios da Defesa da Rússia e da China não se manifestaram sobre os detalhes específicos da reportagem. Contudo, Pequim enviou um comunicado à Reuters reiterando sua posição de “imparcialidade” em relação ao conflito na Ucrânia, uma declaração que contrasta com as alegações de treinamento militar.

A suposta cooperação militar secreta ocorre no contexto da “parceria sem limites” anunciada pelos líderes Vladimir Putin e Xi Jinping em fevereiro de 2022, dias antes da invasão russa à Ucrânia. Desde então, a China tem consistentemente negado qualquer ajuda militar direta à Rússia, ao mesmo tempo em que se oferece como mediadora para negociações de paz.

No entanto, a China tem aumentado significativamente suas compras de petróleo e gás natural russos, o que, na prática, financia o esforço de guerra do Kremlin. Além disso, a Ucrânia já acusou Pequim de fornecer componentes essenciais para a indústria armamentista russa, adicionando complexidade à sua declaração de neutralidade. Para mais informações sobre a cobertura global, consulte Reuters.

Implicações geopolíticas e movimentos diplomáticos recentes

A revelação do treinamento militar chinês a soldados russos tem o potencial de intensificar as tensões geopolíticas, especialmente com as nações ocidentais que apoiam a Ucrânia. A China, uma potência global em ascensão, tem sido observada de perto por sua influência no cenário internacional e sua relação com a Rússia.

A visita de Vladimir Putin à China nesta terça-feira (19) sublinha a importância da aliança entre os dois países. Este encontro ocorre menos de uma semana depois que Xi Jinping recebeu o presidente americano, Donald Trump, em Pequim, demonstrando a complexa teia de relações diplomáticas que a China mantém com as principais potências mundiais.

A capacidade de Pequim de manter um diálogo com Washington enquanto aprofunda laços com Moscou, mesmo em meio a alegações de apoio militar secreto, destaca a estratégia multifacetada da diplomacia chinesa. A comunidade internacional aguarda as próximas movimentações e as possíveis repercussões dessas revelações no curso da guerra na Ucrânia e nas relações globais.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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