Em um momento de profunda crise humanitária e econômica na ilha, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, dirigiu-se diretamente à população cubana nesta quarta-feira (20) com um apelo contundente. Em uma mensagem em vídeo de cinco minutos, divulgada em espanhol, Rubio convocou os cubanos a se unirem na construção de uma “nova Cuba”, uma nação livre do controle da elite militar e com uma relação renovada e promissora com os Estados Unidos.
A iniciativa de Washington surge em um contexto de crescente pressão sobre o regime cubano e coincide com uma data histórica significativa para a ilha: o aniversário da primeira posse de um presidente democraticamente eleito em Cuba, em 1902, um marco que o atual regime não celebra.
Um chamado à ação em meio à crise
O chefe da diplomacia americana, que possui ascendência cubana, destacou a importância da data de 20 de maio, quando a bandeira cubana tremulou pela primeira vez sobre um país independente. No entanto, ele reconheceu a dura realidade enfrentada pelos habitantes da ilha hoje. “Neste dia, em 1902, a bandeira cubana tremulou pela primeira vez sobre um país independente. Mas eu sei que hoje vocês, que chamam a ilha de lar, estão enfrentando dificuldades inimagináveis”, declarou Rubio, referindo-se à grave crise humanitária e econômica que assola o país.
A mensagem de Rubio sublinha a urgência da situação, com a população cubana lidando com a escassez de recursos básicos. O apelo visa galvanizar a esperança e a ação dos cidadãos para reverter o cenário de privação e controle.
Acusações diretas à elite e ao conglomerado Gaesa
No vídeo, o secretário americano foi enfático ao atribuir a responsabilidade pela falta de eletricidade, combustível e comida em Cuba àqueles que controlam o país. Ele acusou a elite governante de ter “saqueado bilhões de dólares”, enriquecendo-se enquanto o povo sofre as consequências da má gestão e da corrupção.
Rubio voltou a apontar o dedo para o conglomerado empresarial Gaesa, uma entidade administrada por militares e fundada pelo ex-ditador Raúl Castro. Segundo ele, a Gaesa tem prosperado às custas da população. O secretário também mencionou o fim do subsídio ao petróleo da Venezuela, que ocorreu após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro por Washington em janeiro passado. Ele alertou que, mesmo com o fim do subsídio, a elite militar continuou a comprar combustível para uso próprio, exigindo “sacrifícios” da população sem mencionar a ordem do presidente Trump para bloquear os embarques de petróleo bruto para o país.
Uma nova visão para as relações e a Cuba do futuro
Marco Rubio apresentou uma visão de um futuro diferente para Cuba, alinhada com a proposta do presidente Trump de um “novo caminho” para as relações entre os EUA e uma nova Cuba. Esta visão contrasta drasticamente com o modelo atual, dominado pela Gaesa.
“Uma nova Cuba onde vocês, cubanos comuns, podem ter um posto de gasolina, uma loja de roupas ou um restaurante, não apenas a Gaesa”, afirmou Rubio, citando como exemplos de prosperidade e liberdade econômica as vizinhas Jamaica, República Dominicana e Bahamas. Ele enfatizou que “atualmente, a única coisa que impede um futuro melhor são aqueles que controlam o país”, reforçando a ideia de que a mudança depende da superação do controle exercido pela elite militar.
Pressão crescente de Washington e desdobramentos legais
A mensagem de Rubio não é um evento isolado, mas parte de uma renovada e intensa pressão de Washington contra Havana. As sanções contra a liderança cubana e a Gaesa têm sido intensificadas, buscando enfraquecer o regime e forçar mudanças.
Além do apelo público, o Departamento de Justiça dos EUA deve formalmente indiciar o ex-ditador Raúl Castro, de 94 anos, nesta quarta-feira. O indiciamento está relacionado a um caso envolvendo a queda dos aviões da Operação Irmãos ao Resgate, ocorrida em 1996. Este movimento legal adiciona uma camada significativa de pressão sobre a liderança cubana, em um momento em que a ilha já enfrenta um isolamento crescente e uma capacidade de reação enfraquecida diante das ações americanas. Para mais informações sobre a política externa dos EUA, visite o Departamento de Estado dos EUA.
Fonte: gazetadopovo.com.br
