O governo dos Estados Unidos mantém inalterada sua política em relação a Diosdado Cabello, figura proeminente do chavismo na Venezuela. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que reafirmou a vigência de uma recompensa de até US$ 25 milhões por dados que levem à condenação ou captura do ministro venezuelano. Esta declaração sublinha a continuidade de uma postura firme de Washington, mesmo em um período de reajustes nas relações diplomáticas com Caracas.
A manutenção da recompensa por Diosdado Cabello ocorre em um cenário complexo, onde a dinâmica política interna da Venezuela e suas interações com os Estados Unidos têm passado por transformações significativas. A posição americana, que classifica Cabello como um “narcoterrorista”, reflete as acusações de longa data contra ele, que o ligam a atividades ilícitas e conspirações internacionais.
A Reafirmação da Posição Americana contra Diosdado
Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, o secretário de Estado Marco Rubio foi questionado sobre a postura dos Estados Unidos em relação a Diosdado Cabello. Em resposta, Rubio foi categórico ao afirmar que a política americana sobre o assunto não sofreu alterações e que qualquer mudança seria devidamente comunicada. Ele reiterou que Cabello continua sendo considerado pelas autoridades dos EUA como um “narcoterrorista”, um termo que ressalta a gravidade das acusações.
A recompensa, que inicialmente era de até US$ 10 milhões, foi elevada para US$ 25 milhões no início de 2025, demonstrando a persistência do governo americano em buscar informações que possam levar à prisão ou condenação de Cabello. Essa medida é parte de um esforço mais amplo para combater o que os EUA consideram atividades criminosas e desestabilizadoras na região.
As Acusações e a Origem da Recompensa Milionária
Diosdado Cabello foi declarado procurado pelos Estados Unidos em março de 2020. Naquele momento, ele foi acusado de envolvimento em uma conspiração narcoterrorista que alegadamente unia o Cartel de los Soles, da Venezuela, e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As acusações detalhavam uma conspiração para cometer narcoterrorismo, envio de cocaína para os Estados Unidos e outras infrações relacionadas ao uso de armas de fogo.
O indiciamento ocorreu em uma corte federal em Nova York, consolidando a base legal para a oferta de recompensa. Além da recompensa, Diosdado Cabello também foi alvo de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, visando restringir seu acesso a recursos financeiros e pressionar o regime venezuelano.
Dinâmicas Políticas e a Posição de Cabello no Cenário Venezuelano
Após a operação militar americana que resultou na captura do então ditador Nicolás Maduro em janeiro deste ano, Diosdado Cabello proferiu uma série de declarações contundentes contra os Estados Unidos. Suas manifestações expressavam repúdio a “ataques imperialistas” que, segundo ele, buscavam minar a soberania e a estabilidade da Venezuela.
Contudo, relatos da agência Reuters, publicados no mesmo mês, indicaram que o governo Trump teria advertido Cabello para não interferir no processo de transição política no país caribenho. Fontes oficiais não identificadas sugeriram que Washington alertou o ministro de que ele poderia se tornar um alvo prioritário caso não colaborasse com a ditadora interina, Delcy Rodríguez, para atender às exigências americanas e manter a ordem após a queda de Maduro.
Mudanças na Relação entre Washington e o Regime Venezuelano
Nos meses recentes, Diosdado Cabello tem adotado uma postura mais discreta, o que sugere uma possível perda de influência dentro do regime de Delcy Rodríguez. A ditadora interina, por sua vez, tem se aproximado de Washington, restabelecendo relações diplomáticas e firmando uma parceria de longo prazo na área de energia com os Estados Unidos. Essa aproximação rendeu elogios do então presidente Donald Trump, que optou por não apoiar a líder oposicionista María Corina Machado, argumentando a falta de apoio interno a ela.
Essa mudança de cenário foi ainda mais evidenciada no início de abril, quando o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA removeu o nome de Delcy Rodríguez de sua lista de alvos de sanções econômicas. Rodríguez estava sob sanções desde 2018, acusada de corrupção e violações de direitos humanos, o que marca um significativo degelo nas relações entre os dois países, contrastando com a persistente recompensa por Diosdado. Para mais informações sobre o programa de recompensas do Departamento de Estado dos EUA, clique aqui.
Fonte: gazetadopovo.com.br
