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Recursos do fundo anti-instrumentalização de Trump podem ser destinados a réus do Capitólio

BeeNews 19/05/2026 | 21:21 | Brasília
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O Departamento de Justiça do governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instituiu um fundo destinado a combater o que descreve como perseguição política, e a possibilidade de que este fundo compense indivíduos envolvidos nos eventos de 6 de janeiro de 2021, incluindo a invasão ao Capitólio, foi admitida publicamente. A declaração, feita nesta terça-feira pelo procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, durante um depoimento no Congresso, acende um debate significativo sobre a aplicação e os beneficiários deste novo mecanismo.

Blanche afirmou a senadores que não poderia garantir que os recursos do recém-criado fundo seriam impedidos de serem direcionados a réus ou condenados relacionados aos acontecimentos de 6 de janeiro, mesmo aqueles acusados de agressões contra policiais. A abrangência do fundo também se estenderia a doadores da campanha de Trump, levantando questões sobre a imparcialidade e os critérios de elegibilidade.

A criação e o propósito do fundo anti-instrumentalização

Oficialmente denominado “The Anti-Weaponization Fund” ou “Fundo Anti-instrumentalização”, o mecanismo foi anunciado pelo Departamento de Justiça nesta segunda-feira. Sua criação é parte de um acordo resultante de um processo movido por Donald Trump contra o Internal Revenue Service (IRS), a Receita Federal americana, após o vazamento de suas declarações de imposto de renda.

Com um montante de US$ 1,7 bilhão (equivalente a R$ 8,9 bilhões na cotação mais recente), o fundo tem como objetivo analisar solicitações de pessoas que alegam ter sido vítimas de “lawfare” – o uso político de órgãos governamentais. A iniciativa prevê a concessão de indenizações financeiras e pedidos formais de desculpas. No entanto, foi especificado que Trump, seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump, e a Trump Organization receberão apenas um pedido formal de desculpas, sem qualquer compensação monetária.

O debate sobre a destinação dos recursos e o 6 de janeiro

A admissão do procurador-geral interino, Todd Blanche, de que não poderia barrar pagamentos a réus ou condenados do 6 de janeiro, incluindo aqueles acusados de agressões a policiais, gerou reações imediatas. A agência Reuters informou sobre a impossibilidade de compromisso de Blanche em excluir tais beneficiários, o que intensificou o escrutínio sobre a finalidade do fundo.

A oposição democrata criticou veementemente a medida, acusando o governo de criar um mecanismo para favorecer aliados políticos. Em contrapartida, parlamentares republicanos defenderam Blanche, argumentando que o Departamento de Justiça está agindo para corrigir abusos que teriam sido cometidos durante a gestão do ex-presidente democrata Joe Biden. Este cenário reflete a profunda polarização política em torno das ações relacionadas ao governo Trump e aos eventos de 6 de janeiro.

O papel da comissão avaliadora e o histórico de perdões

Durante sua audiência no Congresso, Blanche negou que a criação do fundo anti-instrumentalização tenha sido uma ordem direta de Trump. Ele detalhou que uma comissão composta por cinco integrantes será responsável por avaliar os pedidos de compensação. O processo de solicitação será aberto a qualquer pessoa, sem a exigência de filiação partidária, visando garantir uma análise imparcial dos casos.

Este desenvolvimento ocorre no contexto de ações anteriores de Trump em relação aos envolvidos no 6 de janeiro. Em janeiro de 2025, logo após retornar à Casa Branca, Trump concedeu perdão a cerca de 1,5 mil pessoas condenadas por participação nos atos. Naquela ocasião, o ex-presidente referiu-se aos beneficiados como “reféns” e declarou que a medida visava corrigir uma “injustiça nacional”, reforçando sua visão sobre os eventos e seus participantes.

Prazos e o futuro do mecanismo de compensação

O Departamento de Justiça estabeleceu um cronograma para a operação do fundo. Os recursos que não forem utilizados deverão ser devolvidos ao governo federal. Além disso, o mecanismo de compensação deixará de processar novos pedidos a partir de 1º de dezembro de 2028, indicando um período limitado para a apresentação e avaliação das solicitações.

A criação e a potencial aplicação do fundo representam um ponto de inflexão na discussão sobre a responsabilidade e as consequências dos eventos de 6 de janeiro, bem como sobre a instrumentalização do sistema legal para fins políticos. Acompanhe mais notícias sobre política americana em Reuters.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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