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Mamíferos marinhos em conflitos: a verdade por trás dos ‘golfinhos kamikazes’ e a tensão no Estreito de Ormuz

BeeNews 18/05/2026 | 22:13 | Brasília
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A recente coletiva de imprensa no Pentágono, ocorrida no último dia 5, trouxe à tona um tema inusitado que rapidamente ganhou destaque: o possível uso de “golfinhos kamikazes” no conflito em curso no Oriente Médio. A questão, endereçada ao secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, revelou a complexidade e, por vezes, a excentricidade das narrativas que permeiam as tensões geopolíticas, especialmente entre os EUA e o Irã.

A discussão sobre o emprego de mamíferos marinhos em operações militares não é nova, mas a especulação sobre golfinhos carregando minas para atacar navios americanos no estratégico Estreito de Ormuz adicionou uma camada de ironia e preocupação ao cenário. Hegseth, em sua resposta, optou por um tom sarcástico, negando a capacidade iraniana e mantendo o mistério sobre os próprios recursos dos EUA.

A Inusitada Questão no Pentágono e a Resposta Oficial

Durante a entrevista coletiva, jornalistas questionaram o secretário Pete Hegseth sobre a possibilidade de o Irã estar utilizando “golfinhos kamikazes” em suas estratégias navais. A pergunta surgiu após uma reportagem do jornal The Wall Street Journal, publicada em 30 de abril, que mencionava a citação de autoridades iranianas sobre o potencial uso de “golfinhos carregando minas” contra embarcações de guerra dos Estados Unidos.

A resposta de Hegseth foi marcada pela ironia. Ele declarou que não poderia “confirmar nem negar” a existência de “golfinhos kamikazes” por parte dos EUA, mas fez questão de afirmar que o Irã “não tem nenhum”. Apesar da repercussão, a emissora CNBC apurou que não há confirmação pública de que o regime iraniano possua tal capacidade operacional.

O Real Emprego de Golfinhos Militares pela Marinha dos EUA

Ao contrário da hipótese dos “golfinhos kamikazes”, o uso de golfinhos militares e outros mamíferos marinhos em operações navais pelos Estados Unidos é uma realidade bem documentada. Desde 1959, a Marinha americana mantém um programa dedicado ao treinamento desses animais, com funções específicas e de alta precisão.

Esses animais são adestrados para tarefas cruciais, como detectar minas navais, identificar ameaças subaquáticas, realizar vigilância e localizar objetos no fundo do mar. É importante ressaltar que os golfinhos do programa americano não são treinados para ataques suicidas, mas sim para auxiliar na segurança e na inteligência naval, utilizando suas habilidades naturais de forma aprimorada.

A Inteligência Animal em Operações Subaquáticas

A eficácia dos mamíferos marinhos em ambientes subaquáticos reside em suas capacidades biológicas únicas. Especialistas, como o estrategista militar Scott Savitz, do think tank Rand Corporation, explicam que os golfinhos são particularmente úteis em águas abertas devido à sua ecolocalização, um biossonar natural que lhes permite identificar formas e distâncias com grande precisão debaixo d’água.

Leões-marinhos, por sua vez, são empregados em áreas de baixa visibilidade, onde sua capacidade de enxergar em condições adversas se mostra superior. Em certos cenários, o biossonar dos golfinhos pode até mesmo superar a eficiência de equipamentos eletrônicos de detecção, tornando-os ativos valiosos em operações complexas e de alto risco. Para mais informações sobre o uso de animais em contextos militares, pode-se consultar fontes como a CNBC.

Histórico e Uso de Mamíferos Marinhos em Guerras

O emprego de animais em contextos militares possui um longo histórico, e os mamíferos marinhos não são exceção. Durante a Guerra Fria, a União Soviética também desenvolveu um programa para treinar golfinhos com fins de defesa. Após o colapso da URSS em 1991, parte desse programa foi herdada pela Ucrânia, e a Rússia teria retomado o uso militar desses animais após a anexação da Crimeia em 2014.

Há relatos de que o Irã teria adquirido golfinhos treinados pela antiga Marinha soviética no início dos anos 2000, embora nunca tenha havido uma confirmação pública de que Teerã mantenha um programa militar operacional com esses animais atualmente. Os EUA, por sua vez, já utilizaram seus “golfinhos militares” em zonas de conflito, como na Guerra do Iraque em 2003, onde os animais foram cruciais na detecção e remoção de minas no porto de Umm Qasr.

O Estreito de Ormuz como Cenário de Tensão Estratégica

A discussão sobre os “golfinhos kamikazes” surge em um momento de elevada tensão entre Washington e Teerã, com foco no Estreito de Ormuz. Esta rota marítima é de importância estratégica global para o transporte de petróleo e tem sido palco de bloqueios e operações militares por ambos os lados durante o conflito no Oriente Médio.

Pete Hegseth afirmou que o cessar-fogo estava em vigor, mas enfatizou que os EUA monitoravam de perto as ações iranianas. O controle da passagem de Ormuz tornou-se um dos principais pontos de impasse nas negociações para encerrar o conflito, com o Irã insistindo em manter domínio total sobre a região. A polêmica dos golfinhos, embora incomum, serviu para iluminar uma faceta pouco conhecida da guerra naval, onde a inteligência animal ainda desempenha um papel insubstituível em certas missões.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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