O atacante iraniano Sardar Azmoun, figura proeminente da seleção do Irã, foi notavelmente excluído da pré-lista de 30 jogadores para a Copa do Mundo de 2026, anunciada no último sábado (16). Embora a agência de notícias estatal iraniana Irna tenha atribuído a ausência a uma lesão, crescem as especulações de que a decisão do técnico Amir Ghalenoei foi influenciada por questões políticas, marcando um episódio de interferência que ressoa no cenário esportivo e diplomático.
A situação de Azmoun, que acumula 57 gols em 91 jogos pela seleção, já havia sido motivo de controvérsia em março, quando foi cortado pela primeira vez. Naquela ocasião, a mídia local, citando informações da agência Reuters, reportou que o afastamento se deu por um “ato de deslealdade ao governo”, sinalizando uma crescente tensão entre o atleta e as autoridades iranianas.
O encontro polêmico e suas consequências imediatas
A raiz da atual polêmica reside em uma postagem de Sardar Azmoun em suas redes sociais no mês retrasado. O atacante, que atua pelo Shabab Al-Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, compartilhou uma fotografia de um encontro com Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o atual governante de Dubai, vice-presidente e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos. Este encontro com uma figura de alto escalão de um país considerado um “desafeto do regime iraniano” foi o estopim para a mais recente exclusão do jogador.
A proximidade de Azmoun com líderes dos Emirados Árabes Unidos é vista com desconfiança pelas autoridades iranianas, especialmente em um período de intensas fricções diplomáticas. A decisão de afastar o jogador iraniano da seleção, apesar de seu histórico de desempenho e importância para a equipe, sublinha a sensibilidade política que permeia até mesmo o esporte no país.
Tensões geopolíticas entre Irã e Emirados Árabes
A relação entre Irã e Emirados Árabes Unidos tem sido historicamente complexa e marcada por períodos de alta tensão, que se intensificaram recentemente. Em abril, o governo dos Emirados Árabes Unidos exigiu que o Irã arcasse com os custos dos danos causados por ataques do regime de Teerã a países do Golfo Pérsico, ocorridos durante o conflito com Estados Unidos e Israel. Teerã, por sua vez, defende que seus ataques visaram exclusivamente bases americanas nessas nações e acusa Abu Dabi de colaborar na “agressão” contra o país persa.
Os Emirados Árabes Unidos, de fato, interceptaram mísseis e drones iranianos durante o período de conflito. Relatos do The Wall Street Journal na semana passada indicaram que o país árabe teria conduzido operações militares contra o Irã no início de abril, evidenciando a escalada das tensões. Esse cenário de desentendimentos profundos chegou a impedir a divulgação de uma declaração conjunta com uma posição comum sobre a guerra, após uma reunião dos chanceleres dos Brics realizada na Índia.
Implicações internacionais e respostas da FIFA
A complexa situação geopolítica teve repercussões que transcenderam a esfera regional e chegaram a organismos internacionais. Diante do atual conflito e das tensões crescentes, o governo Trump chegou a sugerir que a Itália substituísse o Irã na Copa do Mundo, que será sediada nos Estados Unidos, México e Canadá entre junho e julho. Essa proposta, que visava isolar ainda mais o Irã, foi um reflexo direto da animosidade política.
Adicionalmente, a federação iraniana de futebol solicitou à FIFA que suas partidas da primeira fase, programadas para cidades americanas, fossem transferidas para estádios mexicanos, buscando evitar potenciais atritos e garantir a segurança e o foco de seus atletas. No entanto, a FIFA negou ambas as solicitações, mantendo a integridade de seus calendários e regulamentos, e sublinhando sua posição de neutralidade diante de disputas políticas entre nações.
A exclusão de Sardar Azmoun da seleção iraniana para a Copa do Mundo de 2026, portanto, emerge como um sintoma claro das profundas divisões políticas que afetam o Irã e suas relações internacionais. A decisão, embora oficialmente justificada por uma lesão, é amplamente interpretada como uma consequência direta da postura do jogador em relação a figuras políticas consideradas adversárias do regime, ilustrando a intrincada intersecção entre esporte e política.
Fonte: gazetadopovo.com.br
