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México envia ajuda humanitária a Cuba e defende autodeterminação contra sanções dos EUA

BeeNews 11/05/2026 | 19:09 | Brasília
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O governo do México, sob a liderança da presidente Claudia Sheinbaum, anunciou nesta segunda-feira (11) o envio de um novo navio carregado com ajuda humanitária para Cuba. A iniciativa surge como um desafio direto à contínua pressão exercida pelos Estados Unidos sobre a ilha caribenha, visando aliviar o sofrimento da população cubana em meio ao endurecimento das sanções americanas.

A medida reitera a postura histórica do México de solidariedade com Cuba e de defesa do princípio da autodeterminação dos povos. Em um momento de escalada nas tensões regionais e de intensificação das sanções de Washington, a decisão mexicana sublinha uma divergência fundamental na política externa entre os dois vizinhos norte-americanos.

México reitera apoio humanitário à ilha caribenha

Durante sua coletiva de imprensa diária na Cidade do México, a presidente Claudia Sheinbaum confirmou o embarque do navio, destacando o objetivo de “amenizar o sofrimento do povo cubano”. Ela enfatizou que o envio de ajuda humanitária será uma prática contínua de seu governo, reforçando o compromisso de longa data do México com a nação insular.

A fala da presidente Sheinbaum não apenas anunciou a ação concreta, mas também serviu como uma plataforma para reafirmar os princípios que guiam a política externa mexicana. A solidariedade e a fraternidade com todas as nações, especialmente com Cuba, foram citadas como pilares, ao lado da adesão ao princípio da autodeterminação dos povos, um valor constitucionalmente consagrado no México.

Críticas ao embargo e defesa da soberania cubana

A presidente mexicana reiterou a oposição de seu país ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, uma posição que o México mantém desde a origem do embargo em 1962, durante a Guerra Fria. Sheinbaum afirmou que seu governo “não concorda, nem jamais concordou” com as sanções que afetam a ilha.

Questionada sobre a possibilidade de o México fornecer petróleo a Cuba, a presidente esclareceu que a ilha já recebe esse tipo de apoio da Rússia, que enviou dois petroleiros carregados. Diante disso, o governo mexicano optou por direcionar sua ajuda a outras áreas humanitárias essenciais para a população cubana.

Escalada das sanções americanas e a resposta de Havana

A decisão mexicana ocorre em um cenário de crescente pressão de Washington sobre o regime cubano. Os Estados Unidos ampliaram recentemente o alcance de suas sanções, visando atingir praticamente qualquer pessoa ou empresa não americana que mantenha relações comerciais com Cuba, especialmente nos setores de energia, defesa, segurança e finanças. Essas medidas buscam restringir a entrada de petróleo e combustíveis na ilha e pressionar por mudanças no modelo econômico e político cubano.

Apesar do cerco energético, a resposta de figuras políticas americanas tem sido variada. O ex-presidente Donald Trump, por exemplo, minimizou o envio de petróleo russo a Cuba, afirmando não ver problema na decisão de Moscou. Contudo, Trump também já declarou que tomará o “controle” de Cuba “quase imediatamente” após concluir o “trabalho” no Irã, referindo-se à ofensiva iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o país persa no fim de fevereiro.

Tensões regionais: atritos com Washington e a postura mexicana

O envio de ajuda a Cuba por parte do México se insere em um contexto mais amplo de atritos diplomáticos com Washington. Na semana passada, o ex-presidente Donald Trump fez declarações contundentes, afirmando que os cartéis do narcotráfico “governam o México” e ameaçando com ação militar contra grupos criminosos no país vizinho, caso o governo mexicano não intensifique o combate ao tráfico.

Em resposta, a presidente Sheinbaum defendeu as ações de seu governo contra o narcotráfico e expressou abertura para a cooperação com os Estados Unidos, desde que a soberania do México seja respeitada. Essa troca de declarações evidencia a complexidade das relações bilaterais e a firmeza da postura mexicana em defender seus princípios de política externa e sua autonomia nacional. Para mais informações sobre a política externa do México, visite o site da Secretaria de Relações Exteriores.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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