políticos de direita, segundo levantamento do Observatório Lupa. O estudo identi

Desinformação sobre projeto de lei da misoginia se intensifica nas plataformas digitais

BeeNews 10/05/2026 | 09:51 | Brasília
4 min de leitura 608 palavras

O Projeto de Lei da Misoginia, uma proposta legislativa que busca combater o ódio e a aversão às mulheres, tornou-se alvo de uma intensa campanha de desinformação nas redes sociais. Um levantamento recente do Observatório Lupa revelou uma ofensiva coordenada, atribuída a figuras políticas de direita, que utiliza narrativas falsas, teorias conspiratórias e até mesmo conteúdos gerados por inteligência artificial para atacar o texto aprovado pelo Senado em março deste ano.

A pesquisa detalhada, que analisou milhares de publicações em diversas plataformas digitais, identificou padrões de comportamento e picos de engajamento que distorcem o propósito e o alcance do projeto. A disseminação de informações incorretas tem gerado um debate público confuso, afastando-se da discussão sobre a real intenção da legislação.

Avanço Legislativo e a Definição de Misoginia

O projeto em questão é o PL 896/2023, que define misoginia como “a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres”. Caso seja aprovado pela Câmara dos Deputados sem alterações, o texto prevê a inclusão da “condição de mulher” na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989).

Essa alteração significaria que práticas enquadradas como misóginas poderiam ser punidas com pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. A proposta visa oferecer um arcabouço legal mais robusto para combater a discriminação e a violência de gênero, garantindo proteção às mulheres contra discursos e atos de ódio.

Campanha de Desinformação Ganha Força Online

Entre os dias 24 de março e 30 de abril de 2026, pesquisadores coletaram um vasto volume de dados, incluindo mais de 289 mil publicações no X, 6,3 mil no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads. Essa análise permitiu identificar tendências narrativas e o comportamento dos usuários em relação ao tema.

O estudo da Lupa apontou que o principal pico de engajamento da campanha de desinformação ocorreu em 25 de março, logo após a aprovação da proposta no Senado. Esse impulso inicial foi significativamente influenciado por um vídeo publicado por um deputado federal, que associou trechos de outro projeto de lei (PL 4224/2024) ao texto aprovado, gerando confusão e desinformação. Embora o vídeo tenha sido posteriormente editado, seu impacto inicial foi considerável.

Narrativas Falsas Distorcem o Debate Público

Uma das principais narrativas disseminadas nas redes sociais afirmava que o projeto restringiria a liberdade de expressão e seria utilizado para “perseguir a direita”. Outra linha recorrente de desinformação sugeria que atos cotidianos, como perguntar a uma mulher se ela estava com TPM, poderiam levar à prisão, explorando o medo como motor de engajamento.

Conteúdos falsos também alegavam que a proposta provocaria “demissões em massa” de mulheres ou criminalizaria passagens da Bíblia. A pesquisa identificou o uso de inteligência artificial para criar vídeos falsos sobre supostas consequências da legislação, como empresários demitindo mulheres para evitar processos, distorcendo completamente o escopo e a intenção do projeto.

Influência Política e a Cultura “Redpill” na Disseminação

O levantamento da Lupa identificou diversos atores influentes na circulação desses conteúdos desinformativos, incluindo figuras políticas e influenciadores digitais. Além disso, o relatório destacou o crescimento de termos associados à cultura misógina “redpill”, que retrata o projeto como uma ameaça aos homens, alimentando uma percepção distorcida da proposta.

As postagens, muitas vezes em tom irônico, também mencionaram aplicativos de transporte, sugerindo um medo infundado de acusações falsas em interações cotidianas. Os pesquisadores enfatizam que essas publicações ignoram um ponto central do projeto: a misoginia, no escopo da proposta, está relacionada a práticas discriminatórias que gerem “constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida” em razão do gênero, e não a interações banais ou à liberdade de expressão legítima.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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