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Lula no G7: tensões comerciais com EUA e veto europeu à carne marcam agenda

BeeNews 14/06/2026 | 09:14 | Brasília
3 min de leitura 584 palavras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia neste domingo (13) sua participação na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Convidado para o fórum que reúne as maiores economias industrializadas do planeta, o chefe do Executivo brasileiro enfrenta um cenário diplomático complexo, marcado por impasses comerciais com os Estados Unidos e restrições impostas pela União Europeia a produtos brasileiros.

Esta é a 10ª vez que Lula integra o encontro ao longo de seus três mandatos. O G7 é composto por Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da participação institucional da União Europeia. A presença brasileira ocorre em um momento de busca por protagonismo em temas de governança global e desenvolvimento econômico.

Tensões comerciais e o impasse com os Estados Unidos

A viagem de Lula ocorre sob a sombra de um possível atrito com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Há duas semanas, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, resultado de uma investigação que aponta supostas práticas desleais no comércio entre as duas nações.

O governo norte-americano alega que o sistema Pix prejudica empresas de serviços financeiros dos Estados Unidos, como operadoras de cartões de crédito e o WhatsApp Pay. Embora as equipes diplomáticas mantenham contatos intensos, ainda não há confirmação de uma reunião bilateral entre os dois líderes para resolver o impasse tarifário. O cenário é agravado pela recente designação, por parte dos Estados Unidos, das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, medida que o Brasil tentava evitar por receio de sanções econômicas severas.

Impacto do veto da União Europeia ao agronegócio

Outro ponto crítico na agenda de Lula é a relação com a União Europeia, que oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. A medida, confirmada em documento publicado no dia 5 de junho, tem previsão de entrada em vigor para o dia 3 de setembro. A decisão gerou surpresa no governo brasileiro, que busca entender os desdobramentos da restrição após a implementação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.

O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmou que o Brasil expressará sua preocupação com as medidas europeias. O objetivo é buscar um canal de diálogo para reverter ou mitigar os efeitos desse veto, que atinge setores estratégicos da economia nacional. Você pode acompanhar mais detalhes sobre as negociações internacionais através da Agência Brasil.

Agenda estratégica com o Japão e governança global

Em meio às incertezas sobre encontros bilaterais, uma reunião já está confirmada na agenda: o diálogo com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. O encontro marca o primeiro contato oficial entre os dois líderes e abre espaço para discussões sobre um possível acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, fortalecendo a integração econômica entre as regiões.

Durante os dias 16 e 17 de junho, Lula participará de sessões deliberativas focadas em temas estruturantes. O presidente brasileiro deve cobrar a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) e defender uma reforma profunda na governança global, com ênfase na atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU). A comitiva brasileira também participará de um debate sobre os desafios e regulamentações da Inteligência Artificial.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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