A comunidade cristã global enfrenta um período de intensa perseguição, com relatos alarmantes de violência e mortes em diferentes partes do mundo. Recentemente, a atenção se voltou para dois incidentes graves que sublinham a crescente vulnerabilidade de fiéis: a morte sob tortura de um cristão no Paquistão e o assassinato de dezenas de pessoas em um ataque terrorista na Nigéria. Esses eventos destacam a urgência de discutir a segurança e a liberdade religiosa em nações onde a fé cristã é frequentemente alvo de extremismo e repressão.
A Tragédia no Paquistão: Morte Sob Custódia e Protestos
No Paquistão, a morte de Iftikhar Masih, um católico de 42 anos e pai de quatro filhos, gerou indignação. Ele, que trabalhava como jardineiro na Universidade de Lahore, faleceu em 26 de março, poucas horas após ser detido e supostamente torturado por autoridades locais. A família denunciou que a prisão ocorreu sob uma falsa acusação de tentativa de sequestro, para a qual nunca foram apresentadas provas ou um denunciante.
Riyasat Masih, irmão da vítima, relatou que um policial identificado como Mohsin Shah exigiu o pagamento de 200 mil rúpias paquistanesas para “resolver” o caso. Este pedido foi feito logo após a detenção, antes mesmo de qualquer registro formal da ocorrência. Enquanto a família tentava reunir o valor, Iftikhar morreu sob custódia.
A versão oficial da polícia, que atribuiu a morte a um suicídio por enforcamento, foi veementemente rejeitada pelos familiares. Segundo Riyasat, o corpo de seu irmão apresentava marcas visíveis de tortura e espancamento. A tragédia mobilizou a comunidade, com mais de 300 pessoas se reunindo em frente à delegacia para protestar e bloquear o acesso por horas, conforme relatos de moradores.
A organização cristã Portas Abertas classifica o Paquistão como o oitavo país no mundo onde cristãos enfrentam perseguição severa, conforme seu relatório mais recente. O país, que atualmente media um cessar-fogo em um conflito internacional, continua a ser um local de grande risco para a liberdade religiosa.
Ataque Brutal na Nigéria: O Massacre de Mbwelle
A Nigéria, por sua vez, foi palco de um ataque terrorista que resultou na morte de pelo menos 20 cristãos. Na noite de uma quinta-feira recente, homens armados, identificados por moradores como terroristas Fulani, invadiram a aldeia de Mbwelle, localizada próxima à cidade de Bokkos, no estado de Plateau, na região central do país.
Moses Kefas, um morador local, confirmou a extensão da tragédia, afirmando que 20 membros de sua comunidade foram mortos, e sete deles eram de sua própria família. Horas após o ataque, na manhã seguinte, ainda havia relatos de moradores desaparecidos, aumentando a apreensão na região.
Outro morador, Polycarp Gomwus, descreveu o evento como um ataque não provocado por terroristas Fulani, lamentando a triste realidade enfrentada pelos cristãos diariamente. Os Fulani são um grupo étnico nômade da África, predominantemente muçulmano, e têm sido associados a atos de violência contra comunidades cristãs na Nigéria.
Padrão de Violência e a Perseguição Cristã na Nigéria
O ataque em Mbwelle não é um incidente isolado, mas parte de um padrão preocupante de violência contra cristãos na Nigéria. Dias antes, três cristãos foram mortos por homens armados em motocicletas na região de Jos South, evidenciando a frequência desses atos.
Um pastor local revelou que as regiões de Jos South, Barkin Ladi e Riyom registraram mais de oito enterros coletivos de cristãos assassinados por terroristas em apenas cinco meses. Em 29 de março, outro ataque na área de Angwan Rukuba, em Jos South, deixou mais de 28 mortos, reforçando a gravidade da situação.
De acordo com o relatório da organização Portas Abertas, a Nigéria é o país onde mais cristãos foram mortos por sua fé no período entre outubro de 2024 e setembro de 2025. O relatório aponta que 3.490 dos 4.849 cristãos assassinados mundialmente, o equivalente a 72% do total global, ocorreram na Nigéria. O país ocupa a sétima posição na lista dos 50 países onde é mais difícil ser cristão, sublinhando a crise humanitária e religiosa em curso.
Fonte: gazetadopovo.com.br
