As autoridades espanholas ativaram um abrangente plano de contingência para a chegada de um cruzeiro afetado por um surto de hantavírus. A embarcação, com mais de 140 passageiros e tripulantes a bordo, é esperada neste domingo (10) nas Ilhas Canárias, marcando o desfecho de uma viagem marcada por preocupações sanitárias e uma complexa operação internacional.
O desembarque, previsto para a ilha de Tenerife, na costa oeste da África, será realizado sob um protocolo sanitário rigoroso. A situação mobilizou equipes de saúde e diplomatas de diversos países, além da Organização Mundial da Saúde (OMS), para garantir a segurança e a repatriação dos indivíduos a bordo.
Desembarque coordenado e a resposta internacional
A chegada do cruzeiro MV Hondius, operado pela Oceanwide Expeditions, culmina em uma operação de saúde pública de grande escala. Após saírem do navio, os passageiros serão direcionados para uma área “completamente isolada e cercada”, conforme detalhado por Virginia Barcones, chefe dos serviços de emergência da Espanha, à Associated Press. Este isolamento visa conter qualquer risco potencial de disseminação do vírus.
A cooperação internacional é um pilar fundamental desta resposta. Estados Unidos e Reino Unido, por exemplo, já anunciaram o envio de aeronaves para repatriar seus cidadãos. Os 17 americanos a bordo serão levados para quarentena na Unidade Nacional de Quarentena da Universidade de Nebraska e do Nebraska Medicine, embora nenhum deles apresente sintomas. Da mesma forma, cerca de duas dezenas de cidadãos britânicos serão retirados por um avião fretado pelo governo do Reino Unido.
A gravidade da situação levou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedris Adhanom Ghebreyesus, a se deslocar para as Ilhas Canárias neste sábado (9). Sua presença visa coordenar de perto a evacuação e as demais ações de saúde, sublinhando a importância global do evento.
O desafio do hantavírus: casos, transmissão e letalidade
O surto a bordo do MV Hondius foi confirmado com oito casos de hantavírus, dos quais seis foram inicialmente validados em um boletim divulgado na sexta-feira (8). A doença resultou em três mortes, sendo duas confirmadas e uma com provável relação com o vírus. A cepa Andes do hantavírus, identificada no surto, possui uma taxa de letalidade de 38% e é notável por ser a única variante conhecida com capacidade de transmissão limitada entre humanos.
Apesar dos números preocupantes, a operadora do navio e a OMS afirmam que não há atualmente passageiros com sintomas suspeitos a bordo. Especialistas da OMS e outros profissionais de saúde estão realizando avaliações médicas individuais para coletar informações sobre o risco de infecção. Um porta-voz da entidade, Tarik Jasarevic, informou à EFE que investigações adicionais sobre a possível exposição do primeiro caso e a origem do surto estão em andamento, em colaboração com autoridades da Argentina e do Chile.
Investigação da origem e risco de disseminação
A origem do surto de hantavírus está sob intensa investigação epidemiológica. A hipótese principal é que os primeiros infectados contraíram o vírus antes do embarque, durante uma viagem pela América do Sul, com a observação de pássaros na Argentina sendo apontada como uma possível fonte inicial. Contudo, outras possibilidades, como a presença de roedores contaminados no navio, não foram descartadas e continuam sendo investigadas.
A OMS considera baixo o risco de disseminação do vírus para a população em geral. Essa avaliação foi reforçada após uma comissária de bordo, que teve contato com uma passageira infectada, testar negativo para o patógeno. A organização descreve a gestão do surto como uma “resposta internacional coordenada, que inclui investigações epidemiológicas intensas, isolamento de casos e gestão clínica, evacuações médicas, testes de laboratório e rastreamento e acompanhamento internacional de contatos”.
Antes da confirmação do surto, que só foi relatado à OMS em 2 de maio, 32 passageiros já haviam desembarcado na ilha britânica de Santa Helena, no Atlântico Sul, em 24 de abril. Atualmente, autoridades sanitárias em quatro continentes monitoram mais de 20 pessoas que deixaram o navio antes da confirmação do surto, e equipes de saúde trabalham para localizar outros contatos. Para mais informações sobre o hantavírus, consulte o site da Organização Mundial da Saúde.
Fonte: gazetadopovo.com.br
