A incerteza política persiste no Peru um mês após a realização do primeiro turno da eleição presidencial, com a nação ainda aguardando a definição dos candidatos que disputarão o segundo turno, previsto para 7 de junho. Em meio a este cenário de indefinição, o candidato de direita, Rafael López Aliaga, elevou o tom das acusações, solicitando uma perícia internacional para investigar os processos eleitorais.
O pleito, que ocorreu nos dias 12 e 13 de abril, foi marcado por uma série de problemas que culminaram na renúncia e prisão de membros do órgão eleitoral do país. Tais incidentes levaram à recontagem de atas eleitorais e a uma ordem da Justiça eleitoral para que os sistemas digitais utilizados na votação fossem auditados, adicionando camadas de complexidade e desconfiança ao processo.
Eleição Peru: Contestações e a busca por transparência
A demora na divulgação dos resultados finais da eleição peruana tem gerado um clima de tensão e desconfiança. Os problemas identificados no primeiro turno, que incluíram a saída de membros do órgão eleitoral e a necessidade de recontagem de votos, alimentaram as suspeitas de irregularidades. A ordem judicial para auditar os sistemas digitais reflete a gravidade da situação e a necessidade de garantir a lisura do processo democrático.
Nesse contexto, a demanda por uma avaliação externa ganha força. A transparência e a integridade eleitoral são pilares fundamentais para a confiança pública, e a ausência de clareza nos resultados tem sido um fator de instabilidade, impactando diretamente a percepção da legitimidade do processo democrático.
Críticas à auditoria interna e a exigência de especialistas
Em entrevista à CNN em Espanhol, Rafael López Aliaga expressou sua insatisfação com a auditoria em andamento, classificando-a como insuficiente. Para o candidato, a situação transcendeu a esfera de meras irregularidades, configurando um caso criminal que exige uma investigação forense de alto nível.
López Aliaga sugeriu que a perícia deveria ser conduzida por grandes empresas de consultoria internacional, como KPMG, BDO, PricewaterhouseCoopers ou EY. Ele criticou a escolha de uma “empresa pequena” e o valor de 750 mil soles (equivalente a cerca de R$ 1 milhão) pago a apenas “duas pessoas para auditar”, descrevendo a condução do processo como “ridícula”. O candidato foi enfático ao afirmar que há “dolo, há crime”, e que os responsáveis merecem “mais de 20 anos de prisão”.
Pontos de discórdia: as seções eleitorais e a recompensa
A principal fonte de questionamento de López Aliaga reside nas seções eleitorais identificadas como série 900 mil. Ele argumentou que é “estatisticamente impossível” que 250 mil votos dessas seções fossem contabilizados entre a noite e a madrugada após a eleição, sem que houvesse irregularidades. Essa alegação aponta para uma possível manipulação nos resultados que o teria excluído do segundo turno.
Em sua campanha contra a suposta fraude, o candidato chegou a oferecer uma recompensa a quem apresentasse provas de irregularidades no processo eleitoral. Essa iniciativa sublinha a profundidade de suas convicções sobre a existência de manipulação e sua determinação em buscar justiça e clareza para o pleito.
Desdobramentos jurídicos e o cenário político incerto
Diante das alegações, o Júri Nacional Eleitoral do Peru (JNE) negou, em abril, um pedido de López Aliaga para a realização de eleições complementares. O objetivo seria permitir que pessoas que não teriam conseguido votar devido aos problemas no pleito pudessem exercer seu direito. A decisão do JNE mantém o processo atual, apesar das contestações.
Com 99,6% dos votos apurados, o cenário permanece apertado: a conservadora Keiko Fujimori lidera com 17,2% dos votos, seguida pelo esquerdista Roberto Sánchez, com 12%. Rafael López Aliaga aparece com 11,9%, uma diferença de apenas 14 mil votos para o segundo colocado. Essa margem estreita intensifica a disputa e a importância de cada voto e cada alegação de irregularidade. Para mais informações sobre integridade eleitoral, você pode consultar recursos em International IDEA.
Fonte: gazetadopovo.com.br
