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Líder da Blackrock elogia PIX brasileiro enquanto sistema é alvo de investigação nos EUA

BeeNews 12/05/2026 | 12:16 | Brasília
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O empresário americano Larry Fink, cofundador, presidente e CEO da BlackRock, uma das maiores gestoras de investimentos do mundo, manifestou recentemente sua admiração pelo sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. Em um evento realizado na sede da BlackRock, em Nova York, Fink expressou “inveja” da inovação brasileira e o desejo de que os Estados Unidos desenvolvam um mecanismo de pagamentos similar. Essa declaração ocorre em um contexto onde o Pix, paradoxalmente, tem sido alvo de investigações por parte do governo americano, sob a gestão de Donald Trump.

A visão de Fink ressalta uma dicotomia interessante no cenário financeiro global: enquanto líderes do setor privado enxergam o Pix como um modelo de avanço e eficiência, setores do governo americano levantam preocupações sobre sua competitividade e impacto no mercado. A discussão sobre a digitalização das moedas e a tokenização ganha, assim, novos contornos, com o Brasil e a Índia sendo frequentemente citados como pioneiros nesse movimento.

A admiração de Larry Fink pelo modelo brasileiro

Larry Fink não poupou elogios ao Banco Central brasileiro pela criação do Pix, destacando-o como um exemplo a ser seguido. “Tenho inveja do que o Banco Central brasileiro fez ao criar o Pix. Gostaria que tivéssemos isso aqui”, afirmou o CEO. Ele atribui a países como Brasil e Índia uma “mentalidade digital” avançada, que os posiciona na vanguarda da inovação financeira.

Essa não é a primeira vez que Fink elogia as iniciativas digitais desses países. Em janeiro, durante um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o empresário já havia apontado o Brasil e a Índia como líderes globais na decimalização, tokenização e digitalização de suas moedas. A percepção de Fink sublinha a importância de se adaptar rapidamente às novas tecnologias para manter a relevância no cenário econômico global.

Benefícios da tokenização e da digitalização, segundo Fink

Para o CEO da BlackRock, a transição para a tokenização e a decimalização é uma necessidade urgente. Ele argumenta que a adoção de uma plataforma unificada de investimentos, baseada em tecnologia blockchain, poderia gerar benefícios significativos, como a redução de taxas e a promoção de uma maior democratização financeira. A facilidade de transitar entre diferentes tipos de investimentos, como fundos de mercado monetário tokenizados, ações e títulos, em uma única plataforma, é um dos pontos que Fink destaca.

Além da eficiência e da redução de custos, Fink também aponta a capacidade da blockchain de combater a corrupção. A transparência e a imutabilidade inerentes a essa tecnologia poderiam tornar as transações financeiras mais seguras e menos suscetíveis a fraudes, um argumento poderoso para a sua implementação em larga escala.

O Pix sob o olhar de Washington

Apesar do reconhecimento internacional, o Pix tem sido objeto de escrutínio por parte do governo americano. No ano passado, a administração do então presidente Donald Trump iniciou uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. Entre os pontos de interesse dessa apuração, estavam questões como a venda de produtos piratas e, notavelmente, o próprio Pix.

A Casa Branca, na época, expressou preocupações de que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro pudesse prejudicar a competitividade de empresas americanas do setor de pagamentos que atuam no mercado brasileiro. Essa investigação reflete uma tensão entre a inovação local e os interesses comerciais de grandes players globais, levantando debates sobre protecionismo e concorrência leal em um mundo cada vez mais digitalizado.

Debate sobre uma plataforma única nos EUA

A adoção de uma plataforma única de pagamentos e transações financeiras nos Estados Unidos, similar ao Pix, é um tema que, segundo Fink, demandaria ampla discussão. No entanto, ele defende que as vantagens superariam os desafios. O empresário argumenta que, embora possa haver uma maior dependência de uma única blockchain, as atividades financeiras seriam processadas de forma mais segura do que nunca.

A discussão sobre a infraestrutura de pagamentos nos EUA é complexa, envolvendo múltiplos stakeholders e interesses. A perspectiva de Fink, um dos mais influentes líderes financeiros do mundo, adiciona peso ao argumento a favor da modernização e da adoção de tecnologias que já se provaram eficazes em outras economias. A visita de Trump à China, na qual Fink participará ao lado de outros empreendedores como Elon Musk e Tim Cook, pode ser um palco para novas discussões sobre o futuro das finanças digitais e a cooperação internacional nesse campo.

Para mais informações sobre o sistema de pagamentos brasileiro, visite o site oficial do Banco Central do Brasil.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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