Em um evento que marcou a união de propósitos entre nações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a educação como uma ferramenta indispensável para a formação da consciência crítica e a superação das desigualdades sociais. A declaração, feita durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, em Brasília, sublinhou a visão de que o conhecimento é um pilar de soberania, frequentemente percebido como uma ameaça por setores da extrema direita. O encontro, que reuniu líderes de universidades brasileiras e africanas, foi organizado pela Association of African Universities (AAU), visando estreitar os laços acadêmicos e científicos entre os continentes.
A iniciativa reforça o compromisso do Brasil com a cooperação Sul-Sul, destacando a importância estratégica da educação para o desenvolvimento mútuo. O fórum serve como uma plataforma para discutir e implementar ações conjuntas que promovam o intercâmbio de saberes e a construção de um futuro mais equitativo e autônomo para ambos os lados do Atlântico. A discussão sobre o papel da educação transcende as fronteiras acadêmicas, posicionando-a no centro das estratégias de desenvolvimento nacional e regional.
Educação: pilar de consciência e soberania
Durante seu discurso, o presidente Lula enfatizou que a educação é o instrumento fundamental para enfrentar os grandes desafios contemporâneos. Ele relembrou os cinco eixos estruturantes propostos na Cúpula de Líderes Celac-África, realizada em março, que incluem o combate à fome, o enfrentamento às mudanças climáticas, a transição energética, a democratização da inteligência artificial e a integração das cadeias produtivas. Para o presidente, a capacidade de superar cada um desses obstáculos está intrinsecamente ligada ao avanço educacional.
Lula argumentou que o receio da extrema direita em relação à educação decorre do reconhecimento de que é por meio dela que as pessoas desenvolvem consciência sobre sua realidade. Ele criticou a intolerância à autonomia universitária, a tentativa de silenciar professores e estudantes, a coibição da diversidade, a negação da ciência, a censura às artes e a instrumentalização das salas de aula para a dominação. O presidente defendeu o poder emancipador da educação, afirmando que o pensamento crítico é um aliado essencial na luta anticolonial e no combate ao racismo, à misoginia, à xenofobia e a todas as formas de discriminação, com as universidades atuando como bastiões de resistência.
Cooperação em inteligência artificial e tecnologia
A relevância da educação para o desenvolvimento científico e tecnológico foi outro ponto central abordado por Lula, que destacou a importância estratégica da Inteligência Artificial (IA). O presidente alertou para a ameaça do “colonialismo digital”, onde algoritmos, concentrados nas mãos de poucos países e empresas, se tornam instrumentos de dominação. Ele defendeu a necessidade de investir em infraestrutura digital para superar carências crônicas em alta tecnologia, saúde, agricultura e educação básica.
Nesse contexto, Lula propôs que os modelos de linguagem da IA sejam desenvolvidos também nas línguas dos povos africanos, garantindo inclusão e diversidade. Ele detalhou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê duas linhas de financiamento para cooperação com a África e a América Latina. Serão destinados US$ 20 milhões para projetos conjuntos e US$ 10 milhões para o uso de infraestruturas de Inteligência Artificial brasileiras, fomentando a colaboração entre pesquisadores.
Fortalecendo universidades africanas e intercâmbio
Olusola Oyewle, secretário-geral da Associação de Universidades Africanas (AAU), reconheceu o apoio do Brasil às universidades do continente, que se iniciou durante o primeiro mandato do presidente Lula. Esse suporte, que começou com bolsas de estudo, expandiu-se para a colaboração em pesquisa entre as instituições. No entanto, Oyewle salientou que ainda há muito a ser feito, especialmente no que tange à descolonização dos currículos e à melhoria das atividades de pesquisa na própria África, para o que a parceria com países como o Brasil é fundamental.
Durante o fórum, foram firmados acordos referentes ao programa Capes Move África, que representa um investimento de R$ 47,4 milhões. Este programa visa possibilitar a vinda de 2.600 pós-graduandos do continente africano para o Brasil a partir de 2027. Do total de bolsas, 1.600 serão destinadas a mestrados sanduíche e 1.000 a doutorados sanduíche, promovendo um intercâmbio acadêmico significativo e o fortalecimento da capacidade de pesquisa e inovação.
Fórum de reitores: integração e futuro
O 1º Fórum de Reitores Brasil-África tem como um de seus principais objetivos consolidar a educação superior como um eixo central na relação bilateral entre o Brasil e os países africanos. O evento foi concebido como uma plataforma estratégica para ampliar as oportunidades de integração acadêmica, científica e tecnológica entre as nações, fomentando um ambiente de colaboração e troca de experiências.
A programação do fórum incluiu painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões dedicadas à construção de novas parcerias universitárias. A expectativa é que, por meio dessas atividades, o Brasil aprofunde os laços e intercâmbios com instituições acadêmicas africanas, resultando em novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas. Entre os setores que se beneficiarão dessas parcerias estão agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas. Atualmente, o Brasil mantém 235 acordos de cooperação com instituições de educação superior em 38 países africanos, demonstrando um histórico robusto de colaboração.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
