A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) anunciou o lançamento da segunda edição do Guia de Roteiros de Observação de Vida Silvestre. O material foca especialmente na Mata Atlântica paulista, bioma que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e atrai entusiastas do birdwatching de diversas partes do mundo em busca da chamada “Floresta Mãe”.
A iniciativa visa estruturar o turismo de natureza, oferecendo informações técnicas e geográficas para visitantes que buscam experiências imersivas. O guia detalha rotas que abrangem desde o litoral até as serras do interior, destacando pontos de observação estratégicos e as espécies mais emblemáticas de cada região.
Observação de aves na Baixada Santista e litoral sul
A Região Turística Costa da Mata Atlântica consolida-se como um dos destinos mais procurados para a prática. Municípios como Santos, Peruíbe, Guarujá e Praia Grande oferecem habitats variados, que incluem manguezais, restingas e estuários, além das trilhas preservadas no Parque Estadual da Serra do Mar.
Em Praia Grande, o destaque é o Parque Ézio Dall’Acqua, conhecido como Portinho, onde 165 espécies de aves já foram catalogadas entre residentes e migratórias. Já em Peruíbe, o bairro do Guaraú e a Estação Ecológica Juréia-Itatins são refúgios para aves raras, com melhores períodos de avistamento entre os meses de março e novembro.
Entre as espécies mais cobiçadas pelos fotógrafos e observadores nesta região estão:
- Tiê-sangue
- Guará-vermelho
- Saíra-sapucaia
- Formigueiro-do-litoral
Santuários ecológicos no interior e na Serra do Mar
O interior paulista também ganha relevo no guia com o Parque Natural Municipal Morro do Ouro, localizado em Apiaí. Situado a 1.080 metros de altitude, o local proporciona nichos específicos para avistar o gavião-de-penacho e o tangará-da-serra, especialmente durante o mês de setembro, quando as condições climáticas favorecem a atividade das aves.
Outro ponto fundamental para o ecoturismo é o Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo. O santuário abriga cerca de 330 espécies, o que representa quase 20% de toda a fauna alada brasileira. O núcleo oferece trilhas de baixa dificuldade que percorrem bosques de araucárias e margens de represas, facilitando o acesso de turistas de diferentes perfis.
Herança histórica e o fascínio pela fauna alada brasileira
A prática de observar e registrar a fauna local remete aos primórdios da colonização do Brasil. Em maio de 1560, o padre José de Anchieta redigiu a Carta de São Vicente, um dos primeiros documentos detalhados sobre a natureza paulista. No texto, Anchieta descreveu com rigor técnico e fascínio a diversidade de cores e formas das aves que habitavam a costa.
O novo guia da Setur-SP resgata essa tradição de contemplação, aliando-a ao desenvolvimento econômico sustentável. Ao profissionalizar os roteiros, o estado busca atrair investimentos e promover a conscientização ambiental. Mais detalhes sobre as rotas podem ser consultados diretamente no portal da Agência SP.
Fonte: agenciasp.sp.gov.br
