O mercado financeiro brasileiro registrou movimentos distintos nesta quinta-feira, com o dólar encerrando o pregão em queda significativa, enquanto a bolsa de valores operava no campo negativo. A dinâmica foi impulsionada por uma combinação de fatores externos, incluindo a diminuição das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a divulgação de dados cruciais sobre a inflação nos Estados Unidos, que influenciaram positivamente as moedas de países emergentes.
A valorização do real frente à moeda americana reflete uma percepção de menor risco global, levando investidores a buscar ativos mais rentáveis fora dos tradicionais refúgios. Contudo, o cenário doméstico, com a performance da Petrobras e a cautela em relação aos juros, manteve o índice Ibovespa sob pressão, evidenciando a complexidade das interações entre os mercados global e local.
Dólar em queda: influência global e cenário doméstico
O dólar comercial fechou esta quinta-feira vendido a R$ 5,032, registrando um recuo de R$ 0,029 (-0,57%). A cotação iniciou o dia em R$ 5,07, mas perdeu força após a abertura dos mercados estadunidenses, atingindo a mínima de R$ 5,02 por volta das 15h15. Este movimento de baixa foi amplamente influenciado por fatores externos.
Apesar da queda observada no dia, a moeda norte-americana ainda acumula uma alta de 1,60% no mês de maio. No entanto, ao considerar o desempenho desde o início de 2026, a divisa apresenta uma desvalorização de 8,33%, indicando uma tendência de enfraquecimento em um horizonte mais amplo.
Alívio geopolítico impulsiona moedas emergentes
A principal força por trás da desvalorização do dólar nesta sessão foi o alívio das tensões geopolíticas. O mercado reagiu de forma positiva às informações sobre um entendimento preliminar entre Estados Unidos e Irã, visando a ampliação do cessar-fogo no Oriente Médio e o início de novas negociações sobre o programa nuclear iraniano.
A perspectiva de uma redução nos conflitos na região tende a diminuir a demanda global por ativos considerados mais seguros, como o dólar. Consequentemente, moedas de economias emergentes, como o real brasileiro, são beneficiadas, registrando um desempenho superior em comparação com outras divisas do mesmo bloco.
Inflação nos EUA e o impacto no câmbio
Outro elemento crucial que influenciou o câmbio foi a divulgação do índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) nos Estados Unidos. Este indicador, que é o principal acompanhado pelo Federal Reserve (Fed) para avaliar a inflação, veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.
A leitura do PCE reforçou a percepção de que a inflação na economia americana está mais controlada. Essa expectativa pode levar o Fed a adotar uma postura menos agressiva em relação à política monetária, o que geralmente enfraquece o dólar e favorece o fluxo de capital para mercados emergentes.
Ibovespa recua sob pressão da Petrobras e juros
Diferentemente do câmbio, o mercado de ações brasileiro não acompanhou o otimismo global. O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta quinta-feira aos 175.063 pontos, com um recuo de 0,39%. A queda foi principalmente atribuída à performance das ações da Petrobras e à cautela em relação à evolução dos juros no Brasil.
Os papéis preferenciais (PN) da estatal registraram uma queda de 0,72%, enquanto as ações ordinárias (ON) recuaram 1,16%. Esse desempenho negativo ocorreu apesar do anúncio de reajuste da gasolina nas refinarias pela companhia, refletindo a volatilidade dos preços do petróleo e as preocupações dos investidores.
O mercado também se mantém atento aos indicadores de inflação e às perspectivas para a taxa Selic. Mesmo com sinais de desaceleração econômica, como a queda na criação de empregos formais em abril, a persistência de uma inflação elevada gera dúvidas sobre a intensidade e o ritmo dos cortes de juros pelo Banco Central, impactando o sentimento dos investidores.
Volatilidade do petróleo em meio a incertezas
Os preços do petróleo tiveram um dia de forte oscilação, diretamente influenciados pelas notícias e incertezas envolvendo o Oriente Médio. A expectativa de um possível acordo que permitisse a reabertura plena do Estreito de Ormuz chegou a pressionar as cotações para baixo.
No entanto, a persistência de incertezas sobre o conflito e novos relatos de ataques na região mantiveram os investidores em estado de cautela. Ao final do pregão, o petróleo Brent, referência internacional, avançou 0,49%, fechando cotado a US$ 92,70 o barril. O barril WTI, do Texas, também subiu 0,25%, para US$ 88,90, encerrando o dia em alta moderada.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
