Evan Vucci

Estados Unidos designam CV e PCC como terroristas, gerando alertas no Brasil

BeeNews 28/05/2026 | 20:55 | Brasília
4 min de leitura 746 palavras

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira a designação das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida, que entrará em vigor a partir do dia 5 de junho, baseia-se na Lei de Imigração e Nacionalidade e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump, marcando uma escalada significativa na abordagem de Washington ao crime organizado transnacional na América Latina.

Esta decisão gerou um intenso debate no Brasil, com o governo federal expressando preocupações sobre as possíveis implicações para a soberania nacional e a cooperação bilateral em segurança. Especialistas alertam para os riscos de uma centralização de informações em agências de inteligência dos EUA e a potencial interferência em investigações conjuntas em andamento.

Washington oficializa designação de facções criminosas

A formalização da designação foi comunicada pelo Departamento de Estado dos EUA. Segundo o comunicado, o processo segue a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act), além de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump. A efetivação da medida ocorrerá após a publicação no Federal Register, o diário oficial do governo norte-americano.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enfatizou a gravidade da situação em sua declaração. Ele descreveu o CV e o PCC como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil, com milhares de membros e um histórico de ataques brutais contra forças policiais, autoridades públicas e civis. Rubio também destacou a expansão da influência e das redes ilícitas dessas facções para além das fronteiras brasileiras, atingindo a região e o próprio território norte-americano.

Implicações para a soberania e a cooperação brasileira

A decisão dos EUA de classificar o CV e o PCC como organizações terroristas estrangeiras tem sido recebida com cautela e preocupação pelo governo brasileiro. Nos meses que antecederam o anúncio, o Brasil buscou ativamente evitar essa designação, temendo que ela pudesse abrir precedentes para ações militares dos Estados Unidos em território nacional ou a imposição de sanções econômicas e financeiras severas.

Especialistas na área de segurança e direito internacional avaliam que esta designação representa um risco potencial à soberania do Brasil. Além disso, há o receio de que a medida possa prejudicar os esforços de cooperação investigativa entre os dois países. A centralização de informações sensíveis em órgãos como a CIA (Central de Inteligência dos EUA) ou em estruturas militares dos EUA poderia alterar o nível de sigilo e a dinâmica das trocas de dados, comprometendo investigações conjuntas já em curso e inviabilizando futuras colaborações. Para mais detalhes sobre essa perspectiva, veja a análise sobre como a classificação de facções como terroristas pelos EUA ameaça soberania.

A política externa de Washington e o foco no “narcoterrorismo”

A designação das facções brasileiras se insere em uma reorientação mais ampla da política externa de Washington sob a atual administração. O governo de Donald Trump tem direcionado sua máquina de guerra para a América Latina, justificando suas ações sob o pretexto de combater o que denomina “narcoterrorismo”.

Nos últimos meses, essa abordagem resultou em diversas operações militares. Forças dos EUA bombardearam diretamente embarcações no Caribe, fora de sua jurisdição, alegando combate ao terrorismo. A invasão do território venezuelano, que levou à deposição e captura do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, também foi justificada com base na luta contra o narcoterrorismo. Embora o alcance de ações semelhantes em solo brasileiro seja incerto, a nova designação torna esse cenário um risco real.

Diálogo diplomático e o contexto político

Apesar das tensões geradas pela designação, houve esforços diplomáticos recentes entre os dois países. No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou os EUA e se reuniu com Donald Trump na Casa Branca. Na pauta, a discussão sobre frentes de trabalho conjuntas para asfixiar financeiramente organizações criminosas transnacionais que operam tanto no Brasil quanto nos EUA. Segundo Lula, as facções brasileiras CV e PCC não foram especificamente abordadas nesse encontro.

O anúncio de Marco Rubio também coincide com eventos políticos notáveis. Na quarta-feira, dia 28, Rubio se encontrou em Washington com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República. Um dia antes, Flávio Bolsonaro e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se encontra autoexilado, haviam se reunido com o presidente Trump na Casa Branca.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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