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Brasil reage a tarifas dos EUA: Alckmin defende PIX e critica proposta ‘descabida’

BeeNews 02/06/2026 | 16:25 | Brasília
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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou como “extremamente injusta” e “totalmente descabida” a recente proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, sugerida sob a chamada Seção 301, gerou uma forte reação do governo brasileiro, que promete atuar intensamente para reverter a recomendação antes de sua formalização.

Em declarações dadas em Brasília, nesta terça-feira (2) de 2026, Alckmin enfatizou a posição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que trabalhará para que a proposta não seja consolidada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. A controvérsia abrange desde o sistema de pagamentos instantâneos Pix até questões de balança comercial e agenda ambiental.

A defesa do Pix como patrimônio nacional

Um dos pontos centrais da manifestação do vice-presidente foi a defesa intransigente do Pix. Criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos foi categoricamente excluído de qualquer possibilidade de negociação com os Estados Unidos. Alckmin garantiu que o Pix “não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”.

“O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, afirmou o vice-presidente, sublinhando a importância estratégica e social da ferramenta para o país.

Desequilíbrio comercial e protecionismo norte-americano

Alckmin também rebateu veementemente os argumentos de Washington sobre um suposto desequilíbrio nas transações comerciais entre os dois países. Segundo ele, a balança comercial é, na verdade, “amplamente favorável” aos Estados Unidos. O vice-presidente apresentou dados que indicam um superávit de US$ 40 bilhões para os Estados Unidos no ano passado, considerando a soma da balança de produtos e serviços.

Ele destacou que, dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos ao Brasil, oito gozam de alíquota zero por meio do regime de ex-tarifário. A tarifa média cobrada pelo Brasil sobre as importações norte-americanas é de apenas 3,1%. Em contrapartida, Alckmin apontou o protecionismo do governo Trump em setores como o do açúcar, onde o Brasil possui uma cota de 150 mil toneladas e sofre uma sobretaxa equivalente a 80% de tarifa de importação sobre o excedente. “Há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país”, lamentou.

Avanços brasileiros na agenda climática

A questão do desmatamento ilegal, mencionada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, também foi abordada por Alckmin. O vice-presidente destacou os avanços significativos do Brasil na agenda climática, ressaltando que o país registra a maior queda no desmatamento em sete anos, considerando os seis biomas brasileiros. Na Amazônia, especificamente, o desmatamento caiu mais de 50%.

Alckmin reforçou o compromisso do Brasil de zerar o desmatamento ilegal até 2030, lembrando que o país sediou a COP30, o que demonstra o engajamento nacional com as pautas ambientais e climáticas globais.

Esforços diplomáticos e alerta contra sabotagem

Para reverter ou mitigar a taxação proposta, o governo brasileiro foca em intensificar o diálogo técnico, por meio de um grupo de trabalho bilateral, com prazo final em 15 de julho. Alckmin relembrou que o diálogo entre as duas nações já ocorre, com o mandatário brasileiro tendo vários encontros recentes com o presidente Trump, incluindo uma reunião de cerca de três horas na Casa Branca em 7 de maio de 2026.

O vice-presidente adiantou que os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tentarão coincidir reuniões bilaterais com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), embaixador Jamieson Greer. Todos estarão presentes nesta quarta-feira (3) de 2026, em Paris, para o encontro do conselho ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em meio a esses esforços diplomáticos, Alckmin denunciou a ação de “sabotadores” internos que, segundo ele, tentam prejudicar o país por interesses eleitorais. “Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores prejudicam, colocam os seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público”, afirmou. Ele alertou que essa postura de sabotagem tem reflexos negativos no emprego, na renda e nas empresas brasileiras.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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