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Cooperação entre China e Brasil ganha força em meio a atritos diplomáticos com os EUA

BeeNews 02/06/2026 | 21:21 | Brasília
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Em um momento de crescentes tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, a China reiterou seu interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil e toda a região da América Latina e Caribe. A declaração foi feita durante a visita do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, a Pequim, onde se encontrou com o chanceler chinês, Wang Yi, nesta terça-feira.

O encontro sublinha a importância estratégica das relações sino-brasileiras, especialmente no contexto atual, onde os Estados Unidos têm sinalizado medidas comerciais e de segurança que impactam diretamente o Brasil. A postura chinesa busca consolidar sua posição como um parceiro confiável para as nações latino-americanas.

Pequim busca fortalecer laços estratégicos com o Brasil

Durante a reunião em Pequim, o chanceler chinês, Wang Yi, afirmou que a China se considera uma “amiga confiável” dos países latino-americanos e caribenhos. Ele destacou a prontidão de Pequim para trabalhar com o Brasil e outras nações da região, visando aprofundar e expandir a cooperação em diversas frentes.

Wang Yi ressaltou que as relações entre China e Brasil têm se tornado, nos últimos anos, “cada vez mais globais, estratégicas e de grande alcance em influência”. O ministro chinês enfatizou o avanço da cooperação prática entre os dois países em diferentes áreas, defendendo a construção de uma “comunidade China-Brasil com futuro compartilhado”, uma expressão que denota uma aproximação política e estratégica mais ampla.

Desafios globais e a união do Sul Global

A pauta do encontro também incluiu a necessidade de Brasil e China enfrentarem juntos “diversos desafios externos”. Wang Yi propôs uma ampliação da coordenação entre os dois países em prol da “modernização de seus países e da unidade do chamado Sul Global”.

Essa visão estratégica alinha-se aos esforços de Pequim para fortalecer blocos de países em desenvolvimento e emergentes, buscando um contraponto à influência de potências ocidentais. A colaboração entre Brasil e China é vista como fundamental para essa agenda.

Atritos comerciais e diplomáticos com os Estados Unidos

O diálogo entre os chanceleres ocorreu em um período de atrito entre o Brasil e os Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras.

Essa medida foi proposta após uma investigação da seção 301 sobre práticas comerciais brasileiras, consideradas injustas por Washington. O relatório dos EUA citou falhas do Brasil em temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Adicionalmente, o Departamento de Estado americano classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, a partir de 5 de junho, uma decisão que não foi bem recebida pelo governo brasileiro. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a citar o Brasil como uma exceção entre os governos latino-americanos alinhados a Washington.

Posição brasileira e o princípio de “Uma Só China”

Em resposta às declarações chinesas e ao cenário diplomático, Mauro Vieira reafirmou o compromisso do Brasil com o princípio de “Uma Só China”. Esta posição diplomática reconhece o regime comunista como o governo legítimo tanto da China continental quanto de Taiwan, uma ilha democrática que não se considera parte do território liderado por Xi Jinping.

O chanceler brasileiro expressou a intenção do Brasil de consolidar a confiança estratégica com a China, aprofundar a cooperação prática e fortalecer a coordenação multilateral. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Vieira destacou que Brasil e China são forças importantes na defesa do multilateralismo e do livre comércio. Wang Yi, por sua vez, garantiu o apoio da China ao Brasil na defesa de sua soberania nacional, independência e autonomia. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, com o comércio entre os dois países atingindo US$ 171 bilhões em 2025, conforme dados divulgados pelo governo brasileiro. Saiba mais sobre as relações internacionais da China.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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