NARENDRA SHRESTHA/EFE/EPA

BYD e outras gigantes chinesas são incluídas em lista militar dos EUA

BeeNews 09/06/2026 | 08:26 | Brasília
4 min de leitura 649 palavras

O Departamento da Guerra dos Estados Unidos, conhecido como Pentágono, atualizou nesta segunda-feira (8) sua controversa lista de empresas chinesas com supostos laços militares. A medida adicionou gigantes do setor de tecnologia e automotivo, como a fabricante de carros elétricos BYD, a gigante do e-commerce Alibaba e a plataforma de buscas Baidu, intensificando as tensões comerciais e geopolíticas entre as duas maiores economias globais.

Essa inclusão coloca as companhias sob um escrutínio rigoroso, sujeitando-as a restrições significativas que podem impactar suas operações e parcerias nos Estados Unidos. A decisão reflete a crescente preocupação de Washington com a influência do governo chinês sobre seu setor privado e a alegada estratégia de fusão civil-militar, que busca integrar o desenvolvimento econômico e tecnológico com as capacidades de defesa do país.

A expansão da lista de empresas chinesas e as justificativas do Pentágono

A lista, originalmente estabelecida em 2021 sob a autoridade do Departamento de Defesa, visa identificar e monitorar empresas que o Pentágono considera parte da indústria militar chinesa, ou que possuem vínculos e contribuem para ela. O objetivo declarado é proteger a segurança nacional dos Estados Unidos, impedindo que entidades americanas, direta ou indiretamente, apoiem o desenvolvimento militar da China.

Com as recentes adições, o rol agora abrange 188 companhias da China, abrangendo diversos setores estratégicos que vão desde a tecnologia de ponta até a manufatura pesada. As empresas incluídas nesta classificação ficam automaticamente sujeitas a uma série de restrições, notadamente o veto à obtenção de contratos de defesa com o governo dos Estados Unidos e a proibição de investimentos por parte de entidades americanas. Essa política busca impedir que recursos americanos fortaleçam o aparato militar chinês, que Washington vê como uma ameaça crescente.

Reações da China e das empresas afetadas, como a BYD

A inclusão de companhias de alto perfil como BYD, Alibaba e Baidu provocou uma forte reação tanto do governo chinês quanto das próprias empresas. A Embaixada da China nos Estados Unidos criticou duramente a decisão, acusando o Departamento da Guerra de “extrapolar o conceito de segurança nacional” e de criar “listas discriminatórias para perseguir empresas chinesas”. Pequim frequentemente descreve tais ações como táticas de contenção econômica.

As empresas afetadas também se manifestaram veementemente contra a classificação, negando qualquer ligação com o setor militar. A Alibaba refutou a alegação, afirmando em comunicado que “não é uma empresa militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre forças armadas e civis”. Da mesma forma, a Baidu declarou que sua inclusão nessa categoria é “totalmente infundada”, enquanto a BYD negou a classificação e prometeu “proteger ativamente seus direitos e interesses legítimos por todos os meios administrativos e legais viáveis”, indicando a possibilidade de contestações legais.

Contexto geopolítico e as implicações para o comércio global

A atualização da lista militar ocorre em um cenário de crescentes atritos entre Washington e Pequim, que se estendem desde disputas comerciais e tecnológicas até questões de segurança nacional no Mar do Sul da China e em relação a Taiwan. Os Estados Unidos têm expressado preocupações sobre a rápida expansão militar da China e a suposta utilização de empresas civis para avançar seus objetivos estratégicos, o que é visto como uma ameaça à ordem internacional.

Essa política de restrições, embora focada no setor de defesa e em investimentos diretos, pode ter repercussões mais amplas, influenciando a percepção de risco para investidores e parceiros comerciais globais que operam com empresas chinesas. A medida sublinha a complexidade das relações internacionais e o desafio de equilibrar interesses econômicos com preocupações de segurança nacional, potencialmente levando a uma maior fragmentação das cadeias de suprimentos e do comércio global. Para mais informações sobre o cenário geopolítico e as relações entre EUA e China, consulte fontes confiáveis como a Reuters.

Fonte: gazetadopovo.com.br

Palavras-chave: alibaba, baidu, byd, china, comércio, empresas, eua, militar, pentágono, tecnologia, estados, unidos, lista, setor, defesa, segurança, departamento
Compartilhe:

Menu