O Brasil solidificou sua posição como um polo global de inovação em tecnologia de pagamentos, impulsionado por iniciativas reguladas como o Pix. Para fintechs internacionais que buscam expandir suas operações, as particularidades do mercado local representam tanto um desafio complexo quanto uma oportunidade estratégica. Este é o cenário para a chilena Toku, uma empresa de infraestrutura de pagamentos que projeta um crescimento de cinco vezes em sua equipe no Brasil este ano.
A agilidade e a constante evolução do ambiente regulatório brasileiro, embora desafiadoras, são vistas pela Toku como um diferencial competitivo. A capacidade de se adaptar e oferecer soluções que simplifiquem essa complexidade é o cerne da sua proposta de valor, posicionando a empresa para capitalizar o vasto potencial do mercado nacional.
Brasil: O epicentro da estratégia de expansão da Toku
O mercado brasileiro é fundamental para os planos de crescimento da Toku, representando aproximadamente 60% do seu mercado endereçável total. Essa proporção sublinha a importância estratégica do país para a fintech, que está alocando recursos significativos para fortalecer sua presença local. Cristina Etcheberry, co-Founder e CEO da Toku, destacou a relevância do Brasil durante o Web Summit Rio 2026, afirmando o compromisso da empresa em expandir sua equipe em cinco vezes ao longo deste ano.
Com escritórios também no México e no Chile, a Toku estabeleceu suas operações no Brasil há cerca de um ano e meio. Seu objetivo principal é oferecer soluções para os desafios de cobrança enfrentados por empresas com modelos de receita recorrente. A plataforma da Toku é um software que otimiza o processo de recolhimento de pagamentos, permitindo que as empresas personalizem a experiência com sua própria marca e mantenham controle total sobre as transações, oferecendo uma solução de pagamento mais integrada aos seus clientes.
Navegando pelas inovações e desafios regulatórios
A dinâmica do Banco Central do Brasil, com o lançamento contínuo de novas soluções e regulamentações, como o Pix, Pix recorrente, Pix Automático e Pix parcelado, cria um ambiente de constante mudança. Cristina Etcheberry reconhece a dificuldade de acompanhar todas essas transformações regulatórias, mas ressalta que é precisamente essa complexidade que gera um vasto espaço para a Toku agregar valor.
A busca incessante do mercado brasileiro por maior eficiência nos processos de pagamento adiciona uma camada de complexidade que, paradoxalmente, valoriza ainda mais as soluções inovadoras. Para a Toku, essa realidade se traduz em uma oportunidade de ouro para oferecer ferramentas que simplifiquem a gestão de pagamentos recorrentes, permitindo que as empresas se concentrem em suas atividades principais sem se perderem nos meandros regulatórios.
A proposta de valor da Toku e a superação do “status quo”
A principal estratégia da Toku para conquistar clientes no Brasil tem sido a implementação de um modelo de piloto estruturado. Antes da formalização de um contrato completo, a fintech propõe um projeto inicial com indicadores-chave de desempenho (KPIs) claramente definidos. Essa abordagem permite que os clientes testem a eficácia da solução e comprovem os resultados antes de um compromisso de longo prazo.
A CEO da Toku aponta que o maior concorrente da empresa no Brasil não são outras startups, mas sim o “status quo” – a persistência de processos manuais e ineficientes nas empresas. Essa lacuna cria uma oportunidade significativa para a Toku, que chega ao mercado com uma solução tecnológica capaz de automatizar e otimizar a cobrança, gerando ganhos substanciais de eficiência para seus clientes.
Investimento e foco contínuo na América Latina
Há aproximadamente um ano e meio, a Toku realizou uma rodada de captação de US$ 48 milhões, liderada pela Oak, um fundo de investimento americano com expertise em saúde e fintech. Naquela ocasião, a CEO informou que 30% dos investimentos da empresa seriam direcionados especificamente para o Brasil, evidenciando a importância estratégica do país desde então.
Atualmente, o plano da Toku é manter seu foco na América Latina, com o Brasil no centro de suas operações. Cristina Etcheberry expressa seu entusiasmo pelo ambiente de inovação brasileiro, descrevendo-o como estimulante e dinâmico, especialmente no setor de pagamentos. Essa constante evolução do mercado reforça a decisão da Toku de continuar investindo e crescendo na região. Para mais informações sobre o setor financeiro e suas inovações, consulte fontes como a Febraban.
Fonte: startups.com.br
