Em um cenário de acirrada polarização política, a esquerda colombiana intensificou suas movimentações na reta final da disputa presidencial. Diante de um desempenho desfavorável nas pesquisas de intenção de voto, o campo progressista busca levar o embate contra o candidato da direita, Abelardo de la Espriella, para o âmbito jurídico antes do segundo turno, agendado para o dia 21 de junho.
A ofensiva jurídica contra Abelardo de la Espriella
O senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, formalizou nesta quinta-feira (11) a intenção de protocolar denúncias contra seu adversário. As acusações serão encaminhadas à Procuradoria-Geral da Colômbia e ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Entre os crimes apontados por Cepeda estão o suposto financiamento ao terrorismo, associação criminosa agravada e enriquecimento ilícito, além de alegações de vínculos com grupos paramilitares.
A estratégia ocorre em um momento em que os números favorecem o candidato da direita. Conforme levantamento realizado pela AtlasIntel em parceria com a revista Semana, De la Espriella lidera a corrida eleitoral com 52,2% das intenções de voto, enquanto Cepeda registra 44,5%. No primeiro turno, o cenário já indicava essa tendência, com o candidato da direita obtendo 43,7% contra 40,9% do representante da esquerda.
Reações e o clima de polarização
Em resposta às investidas judiciais, Abelardo de la Espriella classificou as denúncias como uma manobra de ataque político. O candidato afirmou que os fatos mencionados por seu adversário já foram objeto de investigações anteriores. Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, ele contra-atacou, acusando Cepeda de ter mantido, ao longo de anos, uma atuação favorável a grupos guerrilheiros como as Farc e o ELN.
Judicialização e restrições de campanha
O processo eleitoral tem sido marcado por sucessivas intervenções da justiça colombiana. A campanha de De la Espriella enfrentou restrições severas, como a proibição do uso de símbolos nacionais e slogans que incluíssem o termo “pátria”. O Tribunal Superior de Bogotá determinou a retirada de materiais publicitários que utilizavam a bandeira do país e expressões como “Firmes por la Patria”.
Embora uma decisão anterior tenha tentado impedir o uso da camisa da seleção nacional em atos de campanha, a medida foi posteriormente derrubada por outro tribunal, que considerou a restrição desproporcional. O ambiente eleitoral permanece tenso, com acusações mútuas que vão desde interferência externa até denúncias de compra de votos, refletindo a profunda divisão política que atravessa a Colômbia neste momento decisivo.
Fonte: gazetadopovo.com.br
