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Inflação de maio atinge 0,58% e ultrapassa limite da meta oficial

BeeNews 12/06/2026 | 10:57 | Brasília
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A pressão dos alimentos no custo de vida

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% em maio, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o indicador tenha apresentado uma desaceleração em comparação aos dois meses anteriores, o resultado acumulado nos últimos 12 meses alcançou 4,72%. Esse patamar supera o limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que prevê um intervalo de tolerância de até 4,5%.

O principal motor dessa elevação foi o grupo de alimentação e bebidas, que subiu 1,33% no período. Esse setor foi responsável por metade da inflação mensal, com um impacto direto de 0,29 ponto percentual no índice geral. Entre os itens que mais pesaram no orçamento das famílias, destacam-se a batata-inglesa, com alta de 44,69%, o tomate, com 20,62%, e a cebola, que registrou elevação de 16,80%.

Impacto da energia elétrica na habitação

Além dos alimentos, o grupo de habitação exerceu forte pressão sobre o IPCA, apresentando um avanço de 1,22%. O item de maior influência individual foi a conta de luz, que subiu 3,67% e contribuiu com 0,15 ponto percentual para o índice final. A alta reflete, em grande parte, a implementação da bandeira tarifária amarela, que adiciona custos extras ao consumo de energia elétrica residencial.

O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, destacou que fatores como a menor oferta de produtos, o custo do frete rodoviário e a valorização dos fertilizantes, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, contribuíram para a escalada dos preços. Sem o impacto do grupo de alimentação, a inflação de maio teria sido significativamente menor, fechando em 0,37%.

Alívio pontual nos combustíveis

Em contrapartida à alta generalizada, o grupo de transportes registrou deflação de 0,46% em maio, funcionando como um fator de contenção para o índice. O recuo foi impulsionado principalmente pela queda nos preços dos combustíveis, com destaque para o etanol (-6,20%), o óleo diesel (-2,34%) e a gasolina (-1,46%). Este último item foi o que mais contribuiu para puxar o índice para baixo, com um impacto negativo de 0,08 ponto percentual.

Desafios para o cenário econômico

O resultado de maio superou as expectativas do mercado financeiro, que, segundo o Boletim Focus, projetava uma inflação de 0,48% para o mês. Com o acumulado de 12 meses fora da margem de tolerância, o cenário exige atenção redobrada das autoridades monetárias. O índice de difusão revelou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados registraram aumento de preços, evidenciando uma pressão disseminada na economia.

A meta de inflação, que desde 2025 é avaliada em uma janela móvel de 12 meses, torna o cumprimento do teto um desafio constante. Caso o limite de tolerância seja superado por seis meses consecutivos, o descumprimento da meta é formalizado. Atualmente, o mercado financeiro projeta que a inflação encerre o ano de 2026 em 5,11%.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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