O preço da gasolina apresentou um recuo significativo nos postos brasileiros durante o mês de maio, registrando uma queda de 1,46%. Este movimento foi o principal fator de contenção para a inflação oficial do país no período, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe uma sequência de dois meses de altas consecutivas, que haviam sido pressionadas por instabilidades no mercado internacional de petróleo.
Concorrência estratégica e o papel do etanol
A dinâmica de mercado entre os combustíveis teve um papel fundamental na redução observada. O etanol, que registrou uma queda de 6,2% em maio, tornou-se uma alternativa mais atrativa para os consumidores. Segundo o analista do IBGE, Fernando Gonçalves, a maior disponibilidade do produto no mercado, decorrente de uma safra de cana mais voltada para a produção de biocombustível do que para o açúcar, favoreceu essa queda.
Como o Brasil possui uma frota majoritariamente composta por veículos flex, a escolha do consumidor é guiada pelo preço na bomba. Com o etanol mais barato, a gasolina precisou ajustar seus valores para manter a competitividade, resultando em um impacto de -0,08 ponto percentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Política de subvenção como barreira contra choques
Além da concorrência, a política de subvenção adotada pelo governo foi determinante para evitar que o custo dos combustíveis atingisse patamares mais elevados. O mecanismo funciona como um reembolso para produtores e importadores, permitindo que o repasse de aumentos ao consumidor final seja mitigado. Atualmente, o valor da subvenção está fixado em R$ 0,44 por litro de gasolina.
Essa estratégia foi posta à prova recentemente, quando a Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,48 no preço do combustível. Graças à intervenção governamental, apenas R$ 0,04 foram efetivamente repassados ao consumidor final. A medida visa proteger o mercado interno de oscilações bruscas causadas por fatores externos, como o conflito no Oriente Médio que impactou a cadeia global de petróleo.
Reflexos no diesel e custos logísticos
O óleo diesel, essencial para o transporte de cargas, também foi beneficiado pela subvenção, que chegou a R$ 1,52 por litro para importadores em maio. O combustível registrou queda de 2,34% no mês, aliviando parte das pressões sobre o setor de transportes. Contudo, o custo do frete ainda permanece elevado, o que continua a pressionar o preço dos alimentos, que subiram 1,33% no mesmo período.
A instabilidade internacional, iniciada em fevereiro, forçou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo. Embora o Brasil seja um produtor relevante, a dependência de importações, especialmente para o diesel, mantém o país vulnerável às flutuações do barril do tipo Brent, que chegou a superar a marca de US$ 120 durante o pico da crise.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
