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Apuração Peru: Sánchez mantém liderança mínima sobre Fujimori em disputa acirrada

BeeNews 10/06/2026 | 16:34 | Brasília
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A apuração dos votos da eleição presidencial no Peru continua a se desenrolar em um cenário de alta dramaticidade, com a disputa entre o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino e a candidata de direita Keiko Fujimori se mostrando extremamente apertada. Em um universo de mais de 27 milhões de eleitores aptos a votar, a vantagem de Sánchez sobre Fujimori se estreitou consideravelmente, mantendo o país em suspense enquanto os últimos votos são contabilizados.

A margem mínima de diferença entre os dois postulantes à presidência reflete a profunda polarização política que caracteriza o Peru nos últimos anos. Cada atualização dos resultados provisórios tem sido acompanhada de perto, com a expectativa de que os votos restantes possam alterar o desfecho da eleição, que definirá o próximo líder do país para um mandato de cinco anos.

A Contagem Acirrada e a Queda da Vantagem

Com 97,8% das urnas apuradas, Roberto Sánchez detém 50,20% dos votos válidos, enquanto Keiko Fujimori registra 49,980%. Essa diferença representa uma vantagem de apenas 7,3 mil votos para Sánchez, um número que tem flutuado intensamente nas últimas horas. Anteriormente, a liderança de Sánchez havia chegado a 19 mil votos com 95,9% das urnas processadas, demonstrando a volatilidade do cenário eleitoral.

A apuração dos votos dos peruanos residentes no exterior, que tradicionalmente é mais lenta, tem desempenhado um papel crucial na diminuição da vantagem de Sánchez. Keiko Fujimori tem obtido uma performance significativamente superior entre esses eleitores, somando 63,3% dos votos do exterior contra 36,6% para Sánchez. Do total de eleitores peruanos, 1,2 milhão estão fora do país, representando 4,4% do eleitorado total, o que confere um peso considerável a essa parcela de votos.

Reviravoltas na Apuração e o Papel dos Votos do Exterior

O processo de contagem de votos tem sido marcado por diversas reviravoltas. No início da apuração, quando apenas 20% das urnas haviam sido processadas, Keiko Fujimori chegou a ter uma vantagem de 200 mil votos sobre Sánchez. Essa liderança inicial foi atribuída ao fato de que os votos da capital, Lima, onde Fujimori possui maior apoio, foram computados primeiro.

No entanto, o cenário mudou drasticamente em um momento posterior, quando Roberto Sánchez conseguiu ultrapassar numericamente Keiko Fujimori, com 93,9% das urnas apuradas. Essa virada refletiu a chegada dos votos das áreas rurais e indígenas do país, onde Sánchez desfruta de maior popularidade. A dinâmica da contagem tem mantido a nação em alerta, com a diferença entre os candidatos se alterando a cada nova atualização.

Resultados Finais: Uma Espera Prolongada

Apesar de a apuração estar se aproximando de 100% das urnas processadas, o Jurado Nacional de Eleições (JNE), a autoridade máxima eleitoral do Peru, indicou que os resultados definitivos da eleição devem ser finalizados apenas em meados de julho. Essa previsão se deve à implementação de um novo mecanismo obrigatório de recontagem de votos em mesas que apresentaram inconsistências.

Até o momento, o JNE informou ter recebido 1,3 mil atas classificadas como “em observação”, que exigem uma análise mais detalhada e um processo de recontagem. Essa medida visa garantir a transparência e a legitimidade do pleito, mas prolonga a incerteza sobre o resultado final da eleição presidencial. Para mais informações sobre o processo de apuração, pode-se consultar a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru.

O Cenário Político Peruano e os Candidatos em Disputa

Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam a presidência do Peru em um contexto de profunda crise política. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em apenas dez anos, um indicativo da instabilidade que tem marcado a política peruana. Desde 2016, o país viu dois presidentes renunciarem e quatro serem destituídos pelo parlamento, frequentemente descrito como o poder de fato na nação.

Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos e esterilização forçada de mulheres indígenas, busca a presidência pela quarta vez. Ela já perdeu no segundo turno em 2011, 2016 e 2021. Do outro lado, Roberto Sánchez, psicólogo de formação e deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado, mas seus apoiadores o veem como vítima de um golpe legislativo por representar o voto rural e indígena do país. Sánchez demonstrou seu apoio a Castillo ao visitá-lo na prisão após votar no dia da eleição.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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