Ataque de drone russo atinge depósito de combustível nuclear próximo a Chernobyl
Um drone de fabricação iraniana, modelo Shahed, atingiu neste domingo (7) um depósito de combustível nuclear localizado nas imediações da usina de Chernobyl, na Ucrânia. O incidente gerou alerta imediato das autoridades locais e reacendeu preocupações globais sobre a segurança de instalações atômicas em zonas de conflito armado.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a investida como uma ação “extremamente vil”. Segundo o mandatário, o governo está mobilizando seus ministérios para comunicar parceiros internacionais sobre a gravidade da provocação russa, que, segundo ele, ultrapassou limites éticos e estratégicos ao mirar infraestrutura sensível.
Impactos estruturais e monitoramento da AIEA
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou ter sido notificada sobre o impacto. De acordo com o órgão, o drone causou danos significativos a um prédio de recepção de combustível, enquanto edifícios adjacentes sofreram avarias devido à onda de choque gerada pela explosão.
O diretor-geral da AIEA reforçou que ataques contra instalações nucleares são inaceitáveis e violam princípios fundamentais de segurança atômica. Até o momento, as autoridades ucranianas informaram que os níveis de radiação de fundo permanecem dentro da normalidade, sem registros de vazamentos radioativos detectados após a colisão.
Histórico de tensões e riscos nucleares
A instalação atingida situa-se a aproximadamente 15 km da usina de Chernobyl, local que marcou a história mundial pelo desastre nuclear ocorrido há quatro décadas. A região tem sido palco de incidentes recorrentes ao longo do conflito, elevando o temor de uma catástrofe ambiental de proporções continentais.
Em fevereiro de 2025, uma estrutura de contenção sobre o reator destruído já havia sido danificada por um artefato similar. Além disso, a Agência Internacional de Energia Atômica monitora constantemente a usina de Zaporizhzhia, que permanece sob controle russo desde março de 2022, sendo alvo frequente de trocas de acusações entre Kiev e Moscou.
Reação diplomática e silêncio russo
Enquanto o governo ucraniano busca apoio internacional para condenar o que chama de “ataque deliberado”, o Kremlin ainda não se manifestou publicamente sobre o episódio. A ausência de uma justificativa oficial por parte da Rússia mantém o cenário de incerteza sobre as intenções militares por trás do bombardeio.
O episódio reforça a fragilidade das zonas de exclusão e a perigosa proximidade entre operações militares e locais de armazenamento de material radioativo. A comunidade internacional observa com cautela os desdobramentos, temendo que a escalada de audácia russa resulte em danos irreversíveis à segurança nuclear da região.
Fonte: gazetadopovo.com.br
