O governo de Havana reagiu veementemente às recentes acusações dos Estados Unidos, que alegam que os dirigentes da ilha utilizam as empresas estatais para enriquecimento pessoal. Em uma nota oficial, Cuba esclareceu que o modelo do Grupo de Administração de Empresas (Gaesa) foi concebido e implementado como uma estratégia fundamental para enfrentar a guerra econômica imposta por Washington contra a nação caribenha.
Essa declaração sublinha a perspectiva cubana de que suas estruturas econômicas são uma resposta direta às décadas de restrições e sanções. O comunicado, publicado nessa terça-feira, enfatiza que o objetivo primordial dessas empresas sempre foi gerar divisas e recursos essenciais para o Estado, visando sustentar e expandir as conquistas sociais, além de impulsionar diversos setores e ramos da vida nacional.
A Resposta de Havana às Acusações Americanas
As autoridades cubanas condenaram as acusações dos Estados Unidos, classificando-as como tentativas de “confundir tanto o nosso povo quanto a opinião pública internacional”. Segundo o governo liderado pelo presidente Miguel Diaz-Canel, a nova investida contra a Gaesa tem como propósito afastar atores estrangeiros que mantêm relações comerciais com as empresas do grupo, buscando isolar o país.
O comunicado oficial detalha que o “objetivo deliberado é isolar o país diplomática, comercial, financeira e energeticamente; minar a sustentabilidade da nação; condicionar o diálogo; e considerar opções de agressão militar”. A narrativa, segundo Havana, visa “construir e consolidar uma narrativa de descrédito reputacional contra todas as instituições que sustentam o nosso projeto social”.
Gaesa: Estratégia de Desenvolvimento e Resistência ao Bloqueio
Havana destacou os serviços e investimentos realizados pela Gaesa como prova de sua função social e econômica. Entre as realizações citadas estão a construção de mais de 10 mil residências, investimentos em educação infantil, a edificação da termelétrica de Holguín, além de obras hidráulicas e transposições de água que beneficiaram milhões de cubanos. A empresa também teve um papel crucial em sustentar a economia cubana durante os anos da pandemia de Covid-19.
O governo cubano reiterou que a Gaesa “não é uma estrutura opaca, nem paralela ao Estado cubano; pelo contrário, tem sido uma resposta articulada e de comprovada eficácia contra o bloqueio econômico que historicamente tentou sufocar a Revolução Cubana”. Essa defesa reforça a ideia de que o grupo é uma ferramenta vital para a soberania e o bem-estar da população.
Intensificação das Sanções e Impacto no Comércio
A administração do então presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre a ilha, que conta com quase 11 milhões de habitantes. Medidas como o corte do acesso ao petróleo e o aumento das sanções contra aqueles que comercializam com Cuba têm gerado consequências significativas. No início de maio, após uma nova Ordem Executiva da Casa Branca, a empresa canadense Sherritt International abandonou suas atividades no país caribenho, onde mantinha uma joint venture para mineração de níquel em parceria com a Gaesa.
A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), avaliou que as acusações dos EUA contra a Gaesa servem como pretextos para desestabilizar e, eventualmente, derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista. Ela observou que “eles usam esse pretexto de que os dirigentes da Gaesa roubam Cuba por meio do turismo porque o turismo é um dos setores que mais dinheiro gera no país. E não apresentaram nunca provas disso”.
O Cotidiano Cubano Sob a Pressão do Bloqueio
O prolongado bloqueio econômico contra Cuba tem tido um impacto direto e severo na vida dos cidadãos. A ilha chegou a ficar três meses sem receber uma gota de petróleo, resultando em um aumento drástico dos apagões, elevação dos preços de produtos básicos, redução do transporte público e diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana, a situação atual é descrita como o “pior momento que já vivemos”.
Essas dificuldades diárias ilustram a complexidade da situação cubana, onde as políticas externas de Washington são percebidas como um fator central na deterioração das condições de vida. A resistência do governo e a busca por alternativas econômicas são constantemente desafiadas pela persistência das sanções internacionais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
