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Bolívia: EUA consideram intervenção em apoio ao governo Paz diante de protestos

BeeNews 22/05/2026 | 07:48 | Brasília
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A Bolívia se tornou palco de uma intensa crise política, com o governo do presidente Rodrigo Paz enfrentando uma série de mobilizações e bloqueios de estradas promovidos por grupos que apoiam o ex-presidente Evo Morales. Diante desse cenário de instabilidade, os Estados Unidos, por meio de declarações de altos funcionários, sinalizaram a possibilidade de uma intervenção para garantir a permanência do governo democraticamente eleito.

A situação tem gerado preocupação internacional, especialmente entre governos conservadores nas Américas, que veem nos protestos uma ameaça à ordem constitucional boliviana. A mobilização de diferentes atores regionais e a postura firme dos EUA sublinham a gravidade do momento político que o país andino atravessa.

Apoio americano e a acusação de golpe na Bolívia

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, manifestou publicamente o apoio dos Estados Unidos ao governo boliviano. Em uma declaração, Rubio afirmou que os Estados Unidos apoiam incondicionalmente o governo constitucional legítimo da Bolívia e que não permitirão que criminosos e narcotraficantes derrubem líderes democraticamente eleitos no hemisfério. Essa posição reforça a visão de Washington sobre a legitimidade do atual governo boliviano e a seriedade com que a situação é encarada.

Corroborando essa perspectiva, o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, já havia classificado os protestos como uma tentativa de golpe de Estado. Landau descreveu os acontecimentos como um golpe financiado por uma aliança perversa entre a política e o crime organizado em toda a região, indicando uma preocupação com a influência de fatores externos e ilegais na desestabilização política da Bolívia.

Mobilização regional e ajuda humanitária

A crise na Bolívia tem provocado uma reação em cadeia entre os governos da região, com destaque para a Argentina. O ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, informou que o governo enviou um avião Hércules para a Bolívia, transportando mais de 80 toneladas de alimentos bolivianos entre diferentes regiões do país. O objetivo era contornar os bloqueios realizados por pessoas que simpatizam com Evo Morales, garantindo o abastecimento de áreas afetadas.

Quirno também refutou categoricamente as acusações do ex-presidente boliviano, Evo Morales, de que aviões argentinos teriam enviado material antidistúrbios e transportado tropas bolivianas para La Paz. O chanceler argentino enfatizou que a ajuda se restringia ao transporte de alimentos, visando mitigar os efeitos humanitários dos bloqueios.

Mudanças no gabinete boliviano em meio à crise

Em um movimento que busca pacificar o país em meio aos tumultos, o presidente Rodrigo Paz empossou um novo ministro do Trabalho. O advogado Williams Bascopé assumiu a pasta, substituindo Edgar Morales. A mudança ocorreu após Edgar Morales ter confirmado sua renúncia à imprensa, alegando a necessidade de contribuir para a pacificação da nação.

Essa alteração no alto escalão do governo reflete a pressão enfrentada pela administração de Paz e a busca por soluções internas para a crise. A nomeação de um novo ministro em um momento tão delicado sublinha a tentativa de reestruturação e resposta às demandas por estabilidade.

Contexto dos protestos e a polarização política

Os bloqueios de estradas e os tumultos que assolam a Bolívia são promovidos por grupos ligados à esquerda, que têm como objetivo declarado a saída de Rodrigo Paz do poder. Esses movimentos são impulsionados por apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que governou o país de 2006 a 2019 e mantém uma base de apoio significativa.

A polarização política no país andino é profunda, com as tensões entre as forças conservadoras e os movimentos de esquerda se intensificando. A crise atual é um reflexo dessa divisão, com cada lado buscando afirmar sua influência e controle sobre o futuro político da Bolívia.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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