EFE

Crise humanitária em Cuba: bispo relata fiéis desmaiando de fome e colapso social

BeeNews 02/06/2026 | 13:27 | Brasília
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A ilha de Cuba enfrenta um dos períodos mais sombrios de sua história recente, com uma crise humanitária que se aprofunda e atinge níveis alarmantes. Em junho de 2026, o bispo de Santa Clara, Marcelo González Amador, divulgou um relato dramático que expõe a gravidade da situação, descrevendo um cenário onde a escassez de alimentos e energia elétrica tem levado a consequências devastadoras para a população. A carência de recursos básicos é tão severa que fiéis têm desmaiado de fome durante as missas, sobrecarregando as já limitadas capacidades das paróquias locais.

Fome extrema e desmaios em igrejas revelam o desespero cubano

O testemunho do bispo Marcelo González Amador ressalta a dimensão da crise alimentar que assola o país. Segundo o religioso, o momento atual é o mais triste e difícil que ele já presenciou na história de Cuba. Muitas pessoas buscam refúgio e auxílio nas igrejas, compartilhando relatos angustiantes de dias sem qualquer tipo de alimento.

A fragilidade física decorrente da desnutrição básica tornou-se um problema generalizado. Episódios de fiéis perdendo a consciência durante as celebrações religiosas são agora uma ocorrência frequente, um reflexo direto da incapacidade de seus corpos de suportar a fraqueza extrema. A Igreja, nesse contexto, tem se tornado um dos poucos bastiões de esperança e assistência para uma população cada vez mais vulnerável.

Apagões e colapso da saúde agravam a vida cotidiana na ilha

Além da fome, a falta de eletricidade é um fator crítico que agrava a crise humanitária em Cuba. Os constantes apagões impedem que as famílias conservem os poucos alimentos que conseguem adquirir, pois as geladeiras permanecem inoperantes por longos períodos. Esta interrupção no fornecimento de energia não apenas compromete a segurança alimentar, mas também paralisa outras atividades essenciais.

A escuridão prolongada forçou a Igreja a cancelar suas atividades noturnas e, de forma mais preocupante, contribuiu para um aumento significativo da insegurança. O bispo relatou um crescimento considerável nos roubos a residências e nas ruas, impulsionado pela ausência de iluminação pública e pelo desespero crescente da população em busca de meios de sobrevivência.

O sistema de saúde cubano também se encontra em um estado de colapso prático. Grandes hospitais foram forçados a paralisar cirurgias devido à escassez de água e suprimentos básicos, como fios de sutura. Em muitos casos, a realização de procedimentos cirúrgicos depende exclusivamente de parentes no exterior que possam enviar os materiais médicos necessários, evidenciando a fragilidade da infraestrutura de saúde. As pensões governamentais pagas aos idosos são descritas como ‘miseráveis’, deixando a população mais velha sem recursos para adquirir medicamentos ou alimentos.

Igreja Católica em Cuba atua como rede de apoio e esperança

Diante da severidade da crise, a Igreja Católica em Cuba tem desempenhado um papel fundamental, transformando-se em uma vital rede de sobrevivência para a população. Foram estabelecidas cozinhas comunitárias e serviços de entrega de refeições, especialmente direcionados a doentes e pessoas com deficiência. Em uma dessas cozinhas, que atende a mais de 300 pessoas, freiras precisam improvisar, misturando diferentes tipos de grãos para conseguir aumentar o volume das porções e garantir que mais pessoas sejam alimentadas.

Além do suporte material, o clero oferece apoio psicológico, buscando instilar esperança em um cenário onde muitos cidadãos consideram a emigração como única saída ou vivem sob o constante medo de conflitos. A presença e a atuação da Igreja representam um pilar de resiliência e solidariedade em meio à adversidade.

Ajuda humanitária internacional busca aliviar sofrimento em regiões afetadas

A organização Caritas Cuba está na linha de frente da distribuição de ajuda humanitária, que é enviada principalmente dos Estados Unidos. Este auxílio é crucial e focado em alimentos e itens de higiene, sendo direcionado para as regiões que, além de já enfrentarem a crise econômica generalizada, foram severamente devastadas pelo furacão Melissa no final de 2025.

As dioceses de Holguín-Las Tunas, Santiago de Cuba e Guantánamo são os principais pontos de entrega dessa assistência. O objetivo é alcançar as famílias que ficaram isoladas e se tornaram ainda mais vulneráveis após a passagem do furacão, garantindo que o suporte chegue a quem mais precisa e oferecendo um alívio temporário em meio à profunda crise que assola o país. Para mais detalhes sobre a situação, leia a reportagem completa: “Passam dias sem comer”: o relato dramático de bispo sobre a fome em Cuba.

Fonte: gazetadopovo.com.br

Palavras-chave: crise, cuba, energia, escassez, fome, humanitária, igreja, saúde, sociedade, solidariedade, população, bispo, alimentos, pessoas, esperança
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