Crise interna no chavismo fragiliza regime interino de Delcy Rodríguez na Venezuela
Cinco meses após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o cenário político venezuelano atravessa um período de acentuada turbulência. O regime interino, liderado por Delcy Rodríguez, enfrenta uma crescente fragmentação interna, alimentada por críticas contundentes de figuras influentes do chavismo que acusam a atual gestão de ceder excessivamente às pressões de Washington.
A instabilidade tornou-se evidente após o exercício militar realizado em 23 de maio, quando aeronaves do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos pousaram na embaixada americana em Caracas. A autorização concedida por Delcy Rodríguez para a manobra, que contou com a presença do general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, serviu como estopim para que militantes e líderes do movimento rompessem o silêncio contra a ditadora interina.
Ruptura ideológica e o impacto das concessões aos Estados Unidos
As decisões estratégicas adotadas por Delcy Rodríguez, incluindo a reabertura da indústria petrolífera ao capital privado e a deportação do aliado Alex Saab para os Estados Unidos, atingiram o núcleo da identidade chavista. Segundo o professor Marco Aurelio da Silva, especialista em Comércio Exterior, o antiamericanismo foi o pilar ideológico que sustentou o regime por mais de duas décadas.
Ao autorizar a presença de militares americanos em território nacional e reatar laços com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a liderança interina quebrou tabus históricos. Para setores radicais do movimento, como a deputada Iris Varela e a ex-ministra Mary Pili Hernández, tais medidas ultrapassam o pragmatismo político e configuram uma capitulação inaceitável diante do histórico adversário externo.
Disputas de poder e a vulnerabilidade do regime
O ex-ministro Andrés Izarra, atualmente rompido com o governo, aponta que as divisões internas são motivadas por uma intensa disputa por recursos, influência e sobrevivência política. A perda de coesão na elite chavista retira a principal blindagem do regime, tornando-o significativamente mais vulnerável a pressões externas e internas.
A oposição, liderada por figuras como María Corina Machado, observa o cenário como uma oportunidade para exigir o fim das inelegibilidades e a reestruturação do Conselho Nacional Eleitoral. Contudo, analistas alertam que, sem uma vigilância estrita da comunidade internacional, o processo pode resultar apenas em uma fachada democrática para manter o atual arranjo no poder.
Risco de contragolpes e o futuro da estabilidade venezuelana
Apesar das mudanças no alto comando militar promovidas por Delcy Rodríguez, o risco de reações violentas permanece latente. Setores que se beneficiaram de economias ilícitas durante o governo de Nicolás Maduro sentem-se ameaçados pelas novas diretrizes, o que pode desencadear motins ou tentativas de contragolpe caso a imunidade desses grupos seja colocada em xeque.
No curto prazo, a cúpula do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) tenta conter o descontentamento e projetar uma imagem de moderação para o exterior. Entretanto, a insatisfação das bases e de militares de médio escalão pode transformar a crise em uma rebelião aberta, alterando permanentemente o equilíbrio de forças no país. Para mais detalhes sobre o contexto geopolítico, consulte a Gazeta do Povo.
Fonte: gazetadopovo.com.br
