El Mencho: A Morte do Chefe do Cartel Jalisco e a Onda de Terror que Abalou o México

BeeNews 24/02/2026 | 06:47 | Brasília
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Operação que matou El Mencho: Como o México desmantelou o líder do Cartel Jalisco Nova Geração e a violenta reação.

A localização de um confidente de uma das parceiras amorosas do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi o ponto crucial para que as autoridades mexicanas desferissem um golpe contra um dos líderes mais procurados do país. El Mencho, chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), um dos principais grupos criminosos do México, era um alvo internacional.

Com o apoio de informações de inteligência dos Estados Unidos, militares mexicanos conseguiram rastrear El Mencho até um povoado no estado de Jalisco, região onde ele ergueu seu império de drogas. A operação, que culminou em sua morte no domingo, 22 de outubro, desencadeou uma onda de terror e violência em território mexicano.

Represálias brutais deixaram dezenas de mortos, com vias bloqueadas, veículos incendiados e ataques a prédios públicos e comerciais. A situação gerou grande apreensão, mas, segundo a presidente Cláudia Sheinbaum, o país amanheceu em 23 de outubro sem novos distúrbios, com a garantia de que o México estaria “em paz”. Conforme informação divulgada pelo Gabinete de Segurança da presidência do México, a onda de violência deixou 27 agentes do estado mortos e 30 suspeitos, com o cartel oferecendo 20 mil pesos por militar assassinado.

A Rastreamento e a Operação em Jalisco

O segredo para a localização de El Mencho residiu na interceptação de um homem de confiança de uma das parceiras do traficante. O secretário de Defesa Nacional, general Ricardo Trevilla, detalhou que, em 20 de fevereiro, a Inteligência Militar Central localizou este associado, que conduziu os militares a uma instalação em Tapalpa, Jalisco. Acredita-se que a suposta namorada de El Mencho tenha se encontrado com ele nesse local no sábado, 21 de fevereiro, junto com seu círculo íntimo.

A operação para prender El Mencho ocorreu no domingo, mobilizando agentes de forças especiais do Exército, Aeronáutica e Guarda Nacional. O uso de seis helicópteros e aviões modelo Texan marcou a ação. Ao se verem cercados, os seguranças de El Mencho abriram fogo, permitindo a fuga do narcotraficante para uma área de mata próxima, enquanto deixavam para trás um arsenal considerável.

Confrontos e a Morte do Líder do CJNG

Durante a perseguição, El Mencho e alguns de seus seguranças foram localizados escondidos em uma área de vegetação rasteira. Novamente, houve troca de tiros, com os seguranças atacando os militares. Neste segundo confronto, um helicóptero do Estado sofreu um pouso de emergência após ser atingido por um projétil. As forças especiais mexicanas repeliram a agressão, resultando em El Mencho e dois de seus seguranças gravemente feridos.

A equipe médica militar chegou ao local e constatou que todos os feridos estavam em estado crítico. Um helicóptero foi acionado para transportar os feridos a um centro médico em Jalisco. Infelizmente, El Mencho faleceu durante o transporte, conforme relatou o general Trevilla. As duas trocas de tiros resultaram na morte de 15 suspeitos ligados ao Cartel Jalisco e deixaram três militares mexicanos feridos.

O Cartel Jalisco Nova Geração e a Rivalidade com o Sinaloa

O Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) é uma organização relativamente nova, com expansão significativa a partir dos anos 2010, consolidando-se como uma das mais poderosas do México, segundo a especialista em políticas sobre drogas, Gabriela de Luca. Seu principal rival tem sido o Cartel de Sinaloa, com quem disputa rotas internacionais e territórios, uma rivalidade apontada como um dos fatores centrais da violência no país.

Repercussão e a Parceria EUA-México

El Mencho era um alvo prioritário tanto para o México quanto para os Estados Unidos, que ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. No México, a recompensa era de 30 milhões de pesos. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacou o papel de Washington na localização do líder do cartel, classificado como organização terrorista pelo governo Trump, ressaltando a colaboração e o sucesso das Forças Armadas mexicanas.

A presidente mexicana, Cláudia Sheinbaum, enfatizou que a participação dos EUA na operação se limitou à troca de informações, com todas as operações sendo conduzidas pelas forças federais mexicanas. O general Trevilla complementou que, embora os EUA tenham fornecido informações adicionais importantes, a identificação inicial do círculo íntimo de El Mencho foi produto da inteligência militar mexicana.

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