Fernando Gimeno e Renato Pajuelo/EFE

Eleição presidencial no Peru: economia resiliente em meio à instabilidade política

BeeNews 06/06/2026 | 21:57 | Brasília
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O Peru se prepara para o segundo turno de sua eleição presidencial neste domingo (7), um pleito que colocará à prova a notável resiliência de sua economia frente a um cenário político historicamente volátil. A disputa eleitoral polarizada opõe a conservadora Keiko Fujimori ao esquerdista Roberto Sánchez, que buscam liderar o país andino até 2031.

A nação sul-americana tem sido palco de intensa instabilidade política, com oito presidentes se sucedendo desde 2016. O último chefe de Estado a completar integralmente seu mandato de cinco anos foi Ollanta Humala, e diversos ex-presidentes enfrentaram condenações judiciais nos últimos anos, evidenciando a fragilidade institucional do sistema político peruano.

A ‘blindagem’ da economia peruana em foco

Apesar da crônica turbulência política, a economia do Peru tem demonstrado uma capacidade incomum de manter bons indicadores, o que analistas descrevem como uma espécie de “blindagem”. Essa característica tem permitido ao país navegar por crises sucessivas sem um impacto devastador em sua performance macroeconômica.

Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado em maio, destacou o crescimento de 3,4% da economia peruana no ano passado. Além disso, o déficit do setor público não financeiro registrou uma queda significativa, de 3,5% do PIB em 2024 para 2,2% em 2025, alinhando-se à meta da regra fiscal após dois anos de descumprimento.

Fatores de resiliência e elogios do FMI

A inflação no Peru manteve-se em um patamar baixo de 1,5%, e o país desfruta dos “termos de comércio mais favoráveis desde a década de 1950”. O FMI atribuiu esse cenário positivo à combinação de altos preços dos metais e baixos custos de importação, fatores que continuam a sustentar a economia mesmo diante da volatilidade global dos preços do petróleo, cobre e ouro, influenciada por conflitos internacionais.

A confiança empresarial e do consumidor no Peru alcançou seus níveis mais altos desde 2020, impulsionando as perspectivas de crescimento e aprimorando os equilíbrios macroeconômicos. O FMI elogiou o “sólido regime de metas de inflação, a forte supervisão do setor financeiro e as políticas macroprudenciais adequadas” do país, que resultaram na formação de amplas reservas e em uma das menores relações dívida pública/PIB da região.

A economista e professora Ludmila Culpi, da Escola de Negócios da PUCPR, ressaltou em entrevista que o Peru possui um banco central autônomo, com uma estratégia mais linear e menos suscetível às mudanças governamentais. Essa autonomia permite ao banco central estabelecer metas de crescimento e uma política monetária mais assertiva. A especialista também apontou a posição do país como grande exportador de cobre e ouro como um fator adicional de estabilidade econômica. Para mais informações sobre o FMI, visite o site oficial do Fundo Monetário Internacional.

Riscos e desafios para o futuro econômico

Apesar da robustez econômica, o FMI alertou em seu relatório de maio sobre os riscos de desgaste na “blindagem” do Peru. A persistente instabilidade política tem gerado imprevisibilidade nas políticas públicas, e a elevada fragmentação política impede a implementação de reformas cruciais para impulsionar o crescimento. Além disso, os índices de criminalidade, embora baixos em comparação regional, enfraqueceram o ambiente de negócios e contribuíram para uma sensação de impunidade.

Ludmila Culpi explicou que, mesmo com a estabilidade dos últimos anos, o crescimento econômico do Peru poderia ser ainda maior sem a prolongada crise política. Ela descreve a situação como uma “economia zumbi”, que segue sua dinâmica interna com instituições autônomas e produtos valorizados externamente, mas que sofre o contágio da volatilidade política, especialmente nos ministérios, onde a rotatividade de ministros, incluindo o da Economia, descontinua trabalhos e reformas importantes.

Propostas econômicas contrastantes dos candidatos

Os dois candidatos que disputam o segundo turno apresentam visões econômicas diametralmente opostas. Keiko Fujimori defende o fomento à economia de mercado, a manutenção da independência do Banco Central, a redução do déficit para 1% do PIB até 2031 e a atração de investimentos privados adicionais de até US$ 7 bilhões por ano.

Por outro lado, Roberto Sánchez propõe alterar a Constituição para “recuperar a soberania” sobre os recursos naturais, o que implicaria em estatização. Ele também busca aumentar a presença do Estado na economia, revogar contratos que, em sua visão, colocam o país sob o controle de corporações internacionais e renegociar acordos de livre comércio que “afetam a soberania nacional”.

A economista Ludmila Culpi sugeriu que Keiko Fujimori teria mais chances de ser eleita no cenário atual, pois sua agenda de redução do papel do Estado e austeridade fiscal parece mais alinhada com as necessidades do país, especialmente diante do crescimento da dívida pública, uma tendência global.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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