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A eleição peruana: entre o legado Fujimori e a busca por reformas de Sánchez

BeeNews 05/06/2026 | 11:54 | Brasília
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O Peru se prepara para um momento decisivo em sua trajetória política, com a população indo às urnas no próximo domingo (7) para eleger o presidente que governará o país de 2026 a 2031. A disputa polarizada coloca frente a frente a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, em um cenário que reflete as profundas divisões e a instabilidade que têm marcado a nação andina.

Com uma população de 34 milhões de habitantes, o país sul-americano enfrenta uma longa crise política e econômica. Essa instabilidade resultou em destituições sucessivas de presidentes pelo parlamento, levando o próximo chefe de Estado a ser o nono presidente em apenas 10 anos. A eleição atual é vista como um ponto crucial para tentar estabilizar o panorama político.

A eleição peruana em meio à crise política

O primeiro turno das eleições foi marcado por um processo tumultuado, com a apuração dos votos se estendendo por mais de um mês. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), emergiu com 17,1% dos votos, enquanto Roberto Sánchez obteve 12,0%. A votação inicial contou com a participação de 35 candidatos, evidenciando a fragmentação do cenário político peruano.

Apesar da vantagem inicial de Keiko, analistas políticos apontam para um segundo turno incerto. A história eleitoral recente de Fujimori inclui derrotas nas três últimas disputas presidenciais, em 2011, 2016 e 2021, sempre na etapa final. Esse histórico adiciona uma camada de imprevisibilidade ao pleito atual.

Keiko Fujimori: herança e desafios eleitorais

Keiko Fujimori carrega consigo o complexo legado de seu pai, Alberto Fujimori, que foi condenado por violações de direitos humanos, incluindo a esterilização forçada de mulheres indígenas. Essa herança se traduz em uma base de apoio leal, mas também em uma significativa rejeição por parte de outros setores da sociedade peruana.

Durante sua campanha, Fujimori tem sinalizado uma política externa de maior alinhamento com os Estados Unidos, especialmente com a postura defendida por Donald Trump. Essa orientação pode ter implicações diretas para os investimentos chineses no Peru, particularmente no Porto de Chancay, que desempenha um papel estratégico no escoamento da produção sul-americana para a Ásia.

Do outro lado do espectro político, Roberto Sánchez Palomino se posiciona como um defensor das reformas sociais e institucionais. Ele foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado após tentar dissolver o Parlamento.

Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um parlamento poderoso, representando o voto da população rural e indígena do país. Sánchez, psicólogo de formação e deputado pelo partido Juntos Pelo Peru, propõe uma reforma constitucional para substituir a Carta Magna herdada do fujimorismo e defende a ampliação de direitos sociais. Para mais informações sobre o contexto político regional, consulte a Agência Brasil.

Repercussões geopolíticas da disputa presidencial

A eleição peruana transcende as fronteiras nacionais, inserindo-se na dinâmica da disputa comercial e geopolítica entre China e Estados Unidos na América Latina. O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, destaca a relevância desse embate.

Menon avalia que a plataforma de Roberto Sánchez se opõe diretamente à de Keiko Fujimori. Ele ressalta que Fujimori “pretende se realinhar com os EUA” e “já fez acenos a Donald Trump no sentido de recrudescer a política migratória e estancar a influência chinesa que se dá, sobretudo, via Porto de Chancay”. Essa perspectiva sublinha como o resultado da eleição pode reconfigurar alianças e fluxos de investimento na região.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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